Decidi escrever este texto ao parar pela milésima vez no alto da passarela Ciccillo Matarazzo (a passarela do Detran), que liga o Detran ao pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Passava pela enésima vez por ali com a minha bicicleta, mas não pude deixar de parar o olhar para aquele horizonte metade de pedra, metade verde. Árvores, parque Ibirapuera começando a lotar, trânsito insandecido (aliás, como tava parada a 23 sentido Centro), mas hoje tinha sol, hoje tinha céu azul...
Céu azul e sol forte logo após uma noite de chuva, daquelas feitas para dormirmos bem, têm poder abrasador. Acordei cedo e fui buscar o remédio da filhota (que eu entregarei pessoalmente no feriado do dia 8), enchi os pneus da bike e lá estava eu na farmácia de manipulação. Mesmo há quase um mês sem andar de bike decentemente, lá fui eu para o inexorável, onipresente, tesudo, cheiroso, louco parque do Ibirapuera, grande concentração de pessoas zen do bem...
E ao chegar, não pude deixar de sentir o cheiro das folhas úmidas e da terra que subiam, voláteis, rumo ao ar, rumo às nossas narinas. Cada sombra trazia uma sensação única, assim como trecho da ciclovia do parque sob o sol levava aos olhos as matizes mais diversas de cor, o lago do parque parecia encantada, faltando apenas que ali encarnassem fadas diáfanas... Não sei como as pessoas não usam o parque o Ibirapuera como cenário para casar, como os japas fazem no Central Park...
Com um parque como o Ibirapuera, para que uma cidade precisa de vida noturna??? Mas São Paulo tem e só na noite de São Paulo é possível encontrar uma colombiana curtindo Chuck Berry e Ray Charles na pista da Funhouse, depois de testemunhar seu melhor amigo destruir, por desafinação e não por avacalhação, “As Curvas da Estrada de Santos”, no karaokê-restaurante japonês-choperia Liberdade, enquanto era vaiado por falsos moderninhos bombados e tatuados com mullets-interlace que não conseguiam sequer cantar “Besame Mucho”.
E só em São Paulo um amigo seu te liga às 23h30, depois de assistir com a mãe ao Rei no Credicard Hall, nos fundões da marginal Pinheiros, e te chama para sair... E, no táxi, no caminho para a balada, o motorista, admirado por `jovens´ gostarem de Roberto Carlos, revela que teve uma banda de rock nos anos 60, chamada Os Lobos e que conheceu o rei “himself” e que o cara era muito gente fina (“O Paulo Sérgio, que não era nada, era todo metido, já o Roberto sempre conversava com todo mundo. Ele merece todo o sucesso que tem”. Vida longa ao Rei, e te agradeço, São Paulo, por existir, todos os dias. Foi aqui que eu construí o pouco que eu tenho, foi aqui que nasceu minha filha maravilhosa, é aqui o cenário da minha história... Tava com saudades.
Saturday, November 25, 2006
Tuesday, November 21, 2006
Suspenso no espaço (sobre POA, mais um pouco)
Um beijo só, entre concedido e roubado, escalado a partir da nuca, galgado em um pescoço branquinho, parcialmente encoberto por charmosos cabelos curtos... Porque algo tão simples envolve tanto mistério? Porque a cabeça de um homem supostamente tão experiente fica de repente enuviada? Porque nada mais serve? Porque todo o resto é apenas consolação?
A resposta é: não sei. Só sei que ela me encanta. Já havia me encantado no ano passado, mas não tive a auto-confiança necessária para me aproximar de fato. Este ano, quando pediu para que eu me sentasse a seu lado durante um almoço, fiquei de queixo caído. Algo tão simples ligou algo em mim de novo.
Na sexta saímos, tocava uma banda cover de Beatles, os mesmos Beatles que já tínhamos cantado juntos outra noite. O beijo aconteceu, mas ela recusou meu carinho, pediu para que eu esquecesse aquilo, mas agora é impossível, querida! Você já faz parte da minha história, pois estará lá, cravado para sempre no meu chip, esse momento mágico.
Ela mora no centro do país e eu aqui em Sampa, é comprometida, mas não paro de pensar nela e meu único desejo é que toda minha vida coubesse numa mala e que eu pudesse juntar a minha mala e a dela em algum lugar. “Será isso a permanência?”, como cantava Ian Curtis?? _um momento fugidio, algo incompleto, porém perfeito?
Toda essa inquietação me consumiu durante horas ao longo do fim de semana, especialmente nas seis horas em que esperei um avião que parecia fadado a nunca aparecer, talvez para me deixar lá, preso em Porto Alegre com as minhas lembranças de viagem, numa outra dimensão, imaginária...
Bem, nossas vidas seguirão. Cada um em sua cidade, com o seu trabalho e todo o resto. Independentemente do que acontecer, tudo isso é só para dizer que adoro você e que posso ser o que você quiser que eu seja: namorado, amigo, confidente. Apenas não quero que você suma.
De volta à São Paulo, imerso em meu edredon, ouvia um disco antigo dos Acústicos & Valvulados e meus sentidos foram tomados por sua imagem novamente ao ouvir estes versos de “Suspenso no Espaço”. A letra é do poeta/baterista Paulo James, para mim o melhor letrista brasileiro.
“Namorado sempre teve mas também quer seu melhor amigo
E falou que já não mais sabia o que podia ser dito ou não
E muito menos eu que espero a música tocar
Suspenso no espaço
Eu que vou tão longe por guardar
Um beijo na memória”
A resposta é: não sei. Só sei que ela me encanta. Já havia me encantado no ano passado, mas não tive a auto-confiança necessária para me aproximar de fato. Este ano, quando pediu para que eu me sentasse a seu lado durante um almoço, fiquei de queixo caído. Algo tão simples ligou algo em mim de novo.
Na sexta saímos, tocava uma banda cover de Beatles, os mesmos Beatles que já tínhamos cantado juntos outra noite. O beijo aconteceu, mas ela recusou meu carinho, pediu para que eu esquecesse aquilo, mas agora é impossível, querida! Você já faz parte da minha história, pois estará lá, cravado para sempre no meu chip, esse momento mágico.
Ela mora no centro do país e eu aqui em Sampa, é comprometida, mas não paro de pensar nela e meu único desejo é que toda minha vida coubesse numa mala e que eu pudesse juntar a minha mala e a dela em algum lugar. “Será isso a permanência?”, como cantava Ian Curtis?? _um momento fugidio, algo incompleto, porém perfeito?
Toda essa inquietação me consumiu durante horas ao longo do fim de semana, especialmente nas seis horas em que esperei um avião que parecia fadado a nunca aparecer, talvez para me deixar lá, preso em Porto Alegre com as minhas lembranças de viagem, numa outra dimensão, imaginária...
Bem, nossas vidas seguirão. Cada um em sua cidade, com o seu trabalho e todo o resto. Independentemente do que acontecer, tudo isso é só para dizer que adoro você e que posso ser o que você quiser que eu seja: namorado, amigo, confidente. Apenas não quero que você suma.
De volta à São Paulo, imerso em meu edredon, ouvia um disco antigo dos Acústicos & Valvulados e meus sentidos foram tomados por sua imagem novamente ao ouvir estes versos de “Suspenso no Espaço”. A letra é do poeta/baterista Paulo James, para mim o melhor letrista brasileiro.
“Namorado sempre teve mas também quer seu melhor amigo
E falou que já não mais sabia o que podia ser dito ou não
E muito menos eu que espero a música tocar
Suspenso no espaço
Eu que vou tão longe por guardar
Um beijo na memória”
Thursday, November 16, 2006
No lugar certo, na hora errada
Porto Alegre é uma das cidades mais bonitas e encantadoras que eu já conheci. Estou apaixonado pela rua Borges de Medeiros, pelas colunas do viaduto que a divide ao meio, pelos ipês em flor, pelo por do sol no Guaíba, pelos colegas generosos e gentis do congresso do qual estou participando. Até do chimarrão estou gostando. Só peço aos torcedores do Grêmio e do Inter que não se animem, pois não troco meu Flamengo por nada.
Só peguei táxi para levar as malas para o apê onde estou hospedado, em Menino Deus, um bairro misto aqui de POA, perto da Cidade Baixa _ a Vila Madalena daqui, cheia de bares sensacionais, como simpático Van Gogh e seu pastelzinho delicioso, pertinho do Farroupilha.
Como gosto, tenho explorado bastante a cidade andando ou de ônibus. E me surpreendeu a atenção da maioria dos motoristas e cobradores. Fiquei chateado apenas com o atendimento em um só lugar dos vários em que estive, na tal de Olaria. De resto, todo mundo é muito educado e atencioso, os mais legais foram os da churrascaria Garcia´s, aberta a madrugada inteira, na avenida Praia de Belas.
Entretanto, uma gripe logo após uma infecção de garganta que eu trouxe de São Paulo estragou vários de meus planos. Nada de balada até domingo, nada de álcool. Baixei no hospital Mãe de Deus (que atendimento!) e saí de lá agora para dormir muito de hoje para amanhã, pois de tarde teremos a imperdível parte dois de nosso encontro setorial. Uma pena estar no lugar certo, mas na hora errada (se ainda tivesse um colinho!). Espero voltar logo.
Só peguei táxi para levar as malas para o apê onde estou hospedado, em Menino Deus, um bairro misto aqui de POA, perto da Cidade Baixa _ a Vila Madalena daqui, cheia de bares sensacionais, como simpático Van Gogh e seu pastelzinho delicioso, pertinho do Farroupilha.
Como gosto, tenho explorado bastante a cidade andando ou de ônibus. E me surpreendeu a atenção da maioria dos motoristas e cobradores. Fiquei chateado apenas com o atendimento em um só lugar dos vários em que estive, na tal de Olaria. De resto, todo mundo é muito educado e atencioso, os mais legais foram os da churrascaria Garcia´s, aberta a madrugada inteira, na avenida Praia de Belas.
Entretanto, uma gripe logo após uma infecção de garganta que eu trouxe de São Paulo estragou vários de meus planos. Nada de balada até domingo, nada de álcool. Baixei no hospital Mãe de Deus (que atendimento!) e saí de lá agora para dormir muito de hoje para amanhã, pois de tarde teremos a imperdível parte dois de nosso encontro setorial. Uma pena estar no lugar certo, mas na hora errada (se ainda tivesse um colinho!). Espero voltar logo.
Saturday, November 11, 2006
Der Glauben Liebe*
Não consigo entender as pessoas que tentam viver a vida apenas em termos racionais, na tentativa de esquadrinhar sentimentos, interpretá-los o tempo todo. A compulsão humana por esse racionalismo, agravada mais ainda nos tempos atuais, pelos verbos julgar (comparar), planejar, executar me deixam cada vez mais sufocado, me fazendo sentir cada vez mais deslocado na Terra.
Sou do tempo em que os verbos sonhar, amar, viver acompanhavam muito mais o imaginário humano. Cresci lendo as Grandes Aventuras Abril (20.000 Léguas Submarinas, Capitão Tormenta, Ivanhoé, Robin Hood, Os Três Mosqueteiros), todos traduzidos e adaptados por grandes autores brasileiros. Me transportava para aquele mundo o tempo todo, aquelas eram as minhas lendas. Ao mesmo tempo entrava pelos meus ouvidos a música de meu pai e minha mãe, Roberto Carlos, Erasmo, os reis em primeiro lugar e todo um cancioneiro popular do fim dos 70, começo dos 80: Discoteque, trilhas de novelas, como O Astro (internacional), Gilliard, Amelinha, a fase Danado de Bom, de Gonzagão, e Roberto Ribeiro.
A televisão e toda a fantasia e alienação que ela representava naqueles tempos em que o idealismo era torturado e morto nos porões da Ditadura (muito antes da constatação de Cazuza de que as Ideologias perdiam sentido – “meu partido é um coração partido/ e as ilusões estão todas perdidas/Os meus sonhos foram todos vendidos/tão barato que eu nem acredito...”). Mundo afora, Mark Chapman e seus tiros invejosos que mataram o resto de ideologia que John Lennon representava, um homem que só queria a paz num sentido não-burguês. Pôxa, não é à toa que, sendo fruto dessa época de ouro (só os tolos acham que os 80 foram completamente inúteis), eu sou Flamengo.
Meu dicionário era a brochura com todas as letras do Roberto até 1981!!! Por causa desse caldo todo é que eu sou extremamente romântico (muito carente, é claro, mas essencialmente romântico), bem humorado a maior parte do tempo, muito rabugento também, crítico exasperado, jornalista, óbvio... Amante das causas impossíveis: Lula Lá, direitos humanos, igualdade, liberdade ainda que à tardinhA e fraternidade.
Por isso está sendo quase impossível o diálogo com essa moça seis anos mais nova pela qual estou me apaixonando e que ainda não beijei!!! Eu não quero novamente viver outro amor platônico. Eu não quero novamente ouvir o que eu ouvi ontem: “quando eu fico com alguém pela primeira vez eu sumo pelo menos uns 15 dias para digerir o que aconteceu”. Pois eu, baby, tudo que eu quero é te agarrar e se eu te agarrasse eu não ía querer soltar! É lógico que você teria sua liberdade, eu te dou todo o espaço para você mergulhar no seu alemão, nos logs e configurações dos sistemas de computação que você desenvolve, mas eu preciso de contato físico... Me dê algum, por favor!!! Ah, e eu já passei da idade de pedir beijo!
* O título desse post não quer dizer nada. Não sei alemão, apenas sei que Liebe é amor. Glauben tem em seu prefixo letras que formam o nome da moça em questão... Mas se alguém souber que faz sentido, me escreva. Estou, no mínimo, curioso.
Sou do tempo em que os verbos sonhar, amar, viver acompanhavam muito mais o imaginário humano. Cresci lendo as Grandes Aventuras Abril (20.000 Léguas Submarinas, Capitão Tormenta, Ivanhoé, Robin Hood, Os Três Mosqueteiros), todos traduzidos e adaptados por grandes autores brasileiros. Me transportava para aquele mundo o tempo todo, aquelas eram as minhas lendas. Ao mesmo tempo entrava pelos meus ouvidos a música de meu pai e minha mãe, Roberto Carlos, Erasmo, os reis em primeiro lugar e todo um cancioneiro popular do fim dos 70, começo dos 80: Discoteque, trilhas de novelas, como O Astro (internacional), Gilliard, Amelinha, a fase Danado de Bom, de Gonzagão, e Roberto Ribeiro.
A televisão e toda a fantasia e alienação que ela representava naqueles tempos em que o idealismo era torturado e morto nos porões da Ditadura (muito antes da constatação de Cazuza de que as Ideologias perdiam sentido – “meu partido é um coração partido/ e as ilusões estão todas perdidas/Os meus sonhos foram todos vendidos/tão barato que eu nem acredito...”). Mundo afora, Mark Chapman e seus tiros invejosos que mataram o resto de ideologia que John Lennon representava, um homem que só queria a paz num sentido não-burguês. Pôxa, não é à toa que, sendo fruto dessa época de ouro (só os tolos acham que os 80 foram completamente inúteis), eu sou Flamengo.
Meu dicionário era a brochura com todas as letras do Roberto até 1981!!! Por causa desse caldo todo é que eu sou extremamente romântico (muito carente, é claro, mas essencialmente romântico), bem humorado a maior parte do tempo, muito rabugento também, crítico exasperado, jornalista, óbvio... Amante das causas impossíveis: Lula Lá, direitos humanos, igualdade, liberdade ainda que à tardinhA e fraternidade.
Por isso está sendo quase impossível o diálogo com essa moça seis anos mais nova pela qual estou me apaixonando e que ainda não beijei!!! Eu não quero novamente viver outro amor platônico. Eu não quero novamente ouvir o que eu ouvi ontem: “quando eu fico com alguém pela primeira vez eu sumo pelo menos uns 15 dias para digerir o que aconteceu”. Pois eu, baby, tudo que eu quero é te agarrar e se eu te agarrasse eu não ía querer soltar! É lógico que você teria sua liberdade, eu te dou todo o espaço para você mergulhar no seu alemão, nos logs e configurações dos sistemas de computação que você desenvolve, mas eu preciso de contato físico... Me dê algum, por favor!!! Ah, e eu já passei da idade de pedir beijo!
* O título desse post não quer dizer nada. Não sei alemão, apenas sei que Liebe é amor. Glauben tem em seu prefixo letras que formam o nome da moça em questão... Mas se alguém souber que faz sentido, me escreva. Estou, no mínimo, curioso.
Um sorriso do tamanho do mundo
Felicidade. Essa é a impressão que passa e a sensação que causa assistir a um show do Del Rey (união de integrantes do Mombojó com o vocalista China, do Sheik Tosado, bandas de diferentes gerações do rock brasiliano de Pernambuco, com o objetivo de tocar o repertório de Roberto Carlos).
China ou Flávio Augusto, como queiram, que fazia aniversário na última quarta-feira, dia do show, tocava com um sorriso no rosto o tempo todo, feliz, fazendo-me esquecer do DJ que tocava antes da apresentação da banda, que irritou a maior parte dos presentes tocando funks (apesar de clássicos) intermináveis, aquela coisa sem refrão ou só com refrão... (um parêntesis deve ser feito aqui, os DJs que tocam no Studio SP parecem ter esse triste costume de estragar o clima com um repertório extremamente pessoal e completamente nada a ver com o clima da noite).
O cantor é um performer nato, nasceu para o palco. Devia ser um daqueles garotos que nas festas de família fazia imitações, cantava as últimas do Balão Mágico ou imitava as caretas de Jerry Lewis. E ele parecia realmente à vontade, como se estivesse na sala de casa...
Ao repertório, nenhum retoque: uma cobertura extensa da fase ultra pop-rock-soul de RC (1966 até 1970), com esporádicas aparições, muito bem colocadas, de clássicos dos 70 como "Detalhes", "Além do Horizonte", "Ilegal, Imoral ou Engorda" até hoje no repertório do Rei. Apenas senti um pouco a falta de uma ou outra canção mais filosófica como A Janela, O Divã, Traumas. Mas como encaixá-las???
Roberto e Erasmo e até Ronnie Von merecem todo o culto que usufruem hoje e quando cultivados por caras espertos como os do Del Rey vale a pena. E, gente, o Brasil tem que conhecer o China.
China ou Flávio Augusto, como queiram, que fazia aniversário na última quarta-feira, dia do show, tocava com um sorriso no rosto o tempo todo, feliz, fazendo-me esquecer do DJ que tocava antes da apresentação da banda, que irritou a maior parte dos presentes tocando funks (apesar de clássicos) intermináveis, aquela coisa sem refrão ou só com refrão... (um parêntesis deve ser feito aqui, os DJs que tocam no Studio SP parecem ter esse triste costume de estragar o clima com um repertório extremamente pessoal e completamente nada a ver com o clima da noite).
O cantor é um performer nato, nasceu para o palco. Devia ser um daqueles garotos que nas festas de família fazia imitações, cantava as últimas do Balão Mágico ou imitava as caretas de Jerry Lewis. E ele parecia realmente à vontade, como se estivesse na sala de casa...
Ao repertório, nenhum retoque: uma cobertura extensa da fase ultra pop-rock-soul de RC (1966 até 1970), com esporádicas aparições, muito bem colocadas, de clássicos dos 70 como "Detalhes", "Além do Horizonte", "Ilegal, Imoral ou Engorda" até hoje no repertório do Rei. Apenas senti um pouco a falta de uma ou outra canção mais filosófica como A Janela, O Divã, Traumas. Mas como encaixá-las???
Roberto e Erasmo e até Ronnie Von merecem todo o culto que usufruem hoje e quando cultivados por caras espertos como os do Del Rey vale a pena. E, gente, o Brasil tem que conhecer o China.
Thursday, November 09, 2006
Caso encerrado
Wander Wildner respondeu e-mail deste escriba sobre o episódio da cobrança de ingresso antecipado, em cash, no último show da temporada em que ele tocou toda terça-feira no bar e não teatro musical Mão Santa (veja o post abaixo).
Ao contrário do que afirmou o pessoal da casa, Wander respondeu que não houve tal acerto com sua equipe e ele não sabia que a cobrança estava sendo feita dessa forma. Pediu desculpas pelo inconveniente e disse que, nos próximos shows, vai cuidar para que isso não ocorra novamente.
Eu que devo desculpas por ocupar o tempo dele com assunto tão banal. Fiquei muito grato e honrado com a resposta de WW.
Ao contrário do que afirmou o pessoal da casa, Wander respondeu que não houve tal acerto com sua equipe e ele não sabia que a cobrança estava sendo feita dessa forma. Pediu desculpas pelo inconveniente e disse que, nos próximos shows, vai cuidar para que isso não ocorra novamente.
Eu que devo desculpas por ocupar o tempo dele com assunto tão banal. Fiquei muito grato e honrado com a resposta de WW.
Thursday, November 02, 2006
Odiei o lugar, mas amei o Wander
A expectativa diante do show de Wander Wildner no último dia 31 era enorme. Seria o último show de sua temporada de todas as terças em São Paulo, no Mão Santa (rua Mourato Coelho, 816, Vila Madalena, São Paulo), o que sempre prenuncia um show especial, ainda mais quando anunciado que teria a participação especial de Júlio Reny (artista solo, guitarrista, ator, radialista, integrante de bandas como os Cowboys Espirituais, Expresso Oriente, lançando um novo disco solo “Dias de Chuva”, enfim uma lenda do rock gaúcho, com quase 30 anos de serviços prestados à música).
Uma pena que parte dessa expectativa acabou frustrada, causando-me, inclusive, uma descarga tão bruta de adrenalina que me rendeu uma dor de cabeça monstro só curada pela atenção amiga da Helô.
A parte mais frustrante foi que a participação do Júlio não pôde ser considerada especial. Não por causa do show, que foi ótimo, apesar de ter sido uma apresentação de abertura, curta, é claro, mas devido ao desrespeito do público com o artista. As conversas das pessoas na audiência eram mais altas que a bela voz do cantor no (fraco) sistema de som da casa. Ninguém prestava atenção, mesmo com os arranjos maravilhosos do guitarrista apresentado por WW como Viajandão. E uma vez que a participação do artista foi divulgada como especial, eu tinha entendido que ele e o Wander, apesar de suas formações musicais distintas, iriam fazer uma jam, mas não rolou...
Até aí, tudo bem, mas a frustração foi antecidida por incidentes muito chatos. Não sei se por ser uma temporada fechada, num dia não muito maravilhoso (terça-feira), a casa (que anuncia aceitar cartão de crédito e débito) cobrou os R$ 10 de entrada na porta, em dinheiro... Como estava só, metade da minha grana do táxi já ficou ali mesmo. Segundo o porteiro, essa cobrança antecipada de ingresso foi decidida entre a entourage do músico e a casa. Com a palavra o Wander (estou mandando um e-mail para ele sobre isso).
Pessoalmente e financeiramente, não fico puto pela cobrança antecipada, mas me senti aviltado como consumidor. Se o ingresso custava R$ 10 para todos, antecipado, pagos na porta e não no final da conta, porque mesas reservadas? As condições deveriam ser iguais para todos os consumidores, não é? Fui um dos primeiros a chegar e fiquei sentado no fundo e sou fã igual a maioria das pessoas que estava ali... E se o esquema da casa é bar com show, deveria cobrar couvert artístico e não ingresso, com pagamento na saída e aceitando todas as formas de pagamento disponíveis. E se o esquema da casa é show, com bar, não deveria permitir que parte dos consumidores ficasse em pé, atrapalhando a visão do artista para boa parte da audiência, eu incluso.
Não bastasse isso tudo, no letreiro da casa havia a informação “chopp” e a casa só vendia cerveja em garrafa e em lata, de três marcas: Schincariol, Skol e Original. Pedi uma Original que chegou quente a minha mesa e, apesar da minha reclamação, não foi trocada. Detalhe, a pobre garçonete, casa lotada, mais perdida que o Mr. Magoo no trânsito, não me disse que havia latinhas... Infeliz com a cerveja, pedi uma Coca-Light... Não tinha. Só a Coca-Hard... E refris de limão e guaraná, da Schin...
Decidi não beber mais nada, mas tava um puta calor dentro daquele lugar pequeno e pedi uma coca normal mesmo, com bastante gelo para diluir, mas já tinha acabado a coca... Tomei uma schin de Limão, parecia a Tubaína do demo!!!! O copo cheio de gelo foi minha salvação... Tudo isso para dizer: pode tocar o WW de novo, o Ira!, o Roberto Carlos naquela p... de Mão Santa, que eu nunca mais piso naquela m... Lugar de bosta. Mais um (confira os posts Lugarezinhos de Merda 1 e 2).
Mas graças a Deus, WW, que estava alheio a tudo isso, sossegado, assistindo o show do Reny (o qual apresentou com enorme carinho) como todos os mortais. Em seguida, subiu ao palco com o mesmo guitarrista do show do Studio SP e arrasou. Acústico, Wanderley Luiz Wildner mostra todas as nuances de sua voz enorme, às vezes rouca, às vezes grunhida, porém sempre afinada, um Tom Waits melhorado, menos excêntrico, brasileiro, latino, com suas letras que de uma hora para outro mudam de curso, mas que dizem o simples (o simples é sempre o mais difícil de alcançar e ele alcança o simples com facilidade). No show, WW se dividiu com maestria entre os clássicos gaúchos revisitados como “Empregada”, “Amigo Punk” e “Um Lugar do Caralho” e suas próprias canções. Poucos acordes e muita alegria e sorrisos no rosto de quem o vê.
Já escrevi demais, o repertório do show fala por si...
Ganas de Vivir (Juan Suarez)
Refrões (WW)
Bebendo Vinho (WW)
Anjos e Demônios (WW)
Um bom motivo (WW)
Quase Um Alcoólatra (Giancarlo Morelli)
Empregada (Frank Jorge)
Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro (WW)
Você Já Era (Out Of Time) (Jagger/Richards, vers. Clarah Averbuck)
Minha Vizinha (Gerbase/Wildner)
No Ritmo da Vida (WW)
Um rapaz só (Lonely Boy) (Steve Jones/Paul Cook, vers. Marcelo Moreira)
Correndo por Correr (Todo Mundo Um Dia Vai Embora) (Sandro Nunes/WW)
Candy (Iggy Pop)
Rodando El Mundo (WW, com citação de “Machu Pichu”, de Hermes Aquino)
Maverickão (Zicco Cardoso)
Mantra das Possibilidades (WW)
Um Lugar do Caralho (Flávio Basso a.k.a Júpiter Maçã)
Última Canção (Vico)
Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo (WW)
Amigo Punk (Frank Jorge)
Uma pena que parte dessa expectativa acabou frustrada, causando-me, inclusive, uma descarga tão bruta de adrenalina que me rendeu uma dor de cabeça monstro só curada pela atenção amiga da Helô.
A parte mais frustrante foi que a participação do Júlio não pôde ser considerada especial. Não por causa do show, que foi ótimo, apesar de ter sido uma apresentação de abertura, curta, é claro, mas devido ao desrespeito do público com o artista. As conversas das pessoas na audiência eram mais altas que a bela voz do cantor no (fraco) sistema de som da casa. Ninguém prestava atenção, mesmo com os arranjos maravilhosos do guitarrista apresentado por WW como Viajandão. E uma vez que a participação do artista foi divulgada como especial, eu tinha entendido que ele e o Wander, apesar de suas formações musicais distintas, iriam fazer uma jam, mas não rolou...
Até aí, tudo bem, mas a frustração foi antecidida por incidentes muito chatos. Não sei se por ser uma temporada fechada, num dia não muito maravilhoso (terça-feira), a casa (que anuncia aceitar cartão de crédito e débito) cobrou os R$ 10 de entrada na porta, em dinheiro... Como estava só, metade da minha grana do táxi já ficou ali mesmo. Segundo o porteiro, essa cobrança antecipada de ingresso foi decidida entre a entourage do músico e a casa. Com a palavra o Wander (estou mandando um e-mail para ele sobre isso).
Pessoalmente e financeiramente, não fico puto pela cobrança antecipada, mas me senti aviltado como consumidor. Se o ingresso custava R$ 10 para todos, antecipado, pagos na porta e não no final da conta, porque mesas reservadas? As condições deveriam ser iguais para todos os consumidores, não é? Fui um dos primeiros a chegar e fiquei sentado no fundo e sou fã igual a maioria das pessoas que estava ali... E se o esquema da casa é bar com show, deveria cobrar couvert artístico e não ingresso, com pagamento na saída e aceitando todas as formas de pagamento disponíveis. E se o esquema da casa é show, com bar, não deveria permitir que parte dos consumidores ficasse em pé, atrapalhando a visão do artista para boa parte da audiência, eu incluso.
Não bastasse isso tudo, no letreiro da casa havia a informação “chopp” e a casa só vendia cerveja em garrafa e em lata, de três marcas: Schincariol, Skol e Original. Pedi uma Original que chegou quente a minha mesa e, apesar da minha reclamação, não foi trocada. Detalhe, a pobre garçonete, casa lotada, mais perdida que o Mr. Magoo no trânsito, não me disse que havia latinhas... Infeliz com a cerveja, pedi uma Coca-Light... Não tinha. Só a Coca-Hard... E refris de limão e guaraná, da Schin...
Decidi não beber mais nada, mas tava um puta calor dentro daquele lugar pequeno e pedi uma coca normal mesmo, com bastante gelo para diluir, mas já tinha acabado a coca... Tomei uma schin de Limão, parecia a Tubaína do demo!!!! O copo cheio de gelo foi minha salvação... Tudo isso para dizer: pode tocar o WW de novo, o Ira!, o Roberto Carlos naquela p... de Mão Santa, que eu nunca mais piso naquela m... Lugar de bosta. Mais um (confira os posts Lugarezinhos de Merda 1 e 2).
Mas graças a Deus, WW, que estava alheio a tudo isso, sossegado, assistindo o show do Reny (o qual apresentou com enorme carinho) como todos os mortais. Em seguida, subiu ao palco com o mesmo guitarrista do show do Studio SP e arrasou. Acústico, Wanderley Luiz Wildner mostra todas as nuances de sua voz enorme, às vezes rouca, às vezes grunhida, porém sempre afinada, um Tom Waits melhorado, menos excêntrico, brasileiro, latino, com suas letras que de uma hora para outro mudam de curso, mas que dizem o simples (o simples é sempre o mais difícil de alcançar e ele alcança o simples com facilidade). No show, WW se dividiu com maestria entre os clássicos gaúchos revisitados como “Empregada”, “Amigo Punk” e “Um Lugar do Caralho” e suas próprias canções. Poucos acordes e muita alegria e sorrisos no rosto de quem o vê.
Já escrevi demais, o repertório do show fala por si...
Ganas de Vivir (Juan Suarez)
Refrões (WW)
Bebendo Vinho (WW)
Anjos e Demônios (WW)
Um bom motivo (WW)
Quase Um Alcoólatra (Giancarlo Morelli)
Empregada (Frank Jorge)
Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro (WW)
Você Já Era (Out Of Time) (Jagger/Richards, vers. Clarah Averbuck)
Minha Vizinha (Gerbase/Wildner)
No Ritmo da Vida (WW)
Um rapaz só (Lonely Boy) (Steve Jones/Paul Cook, vers. Marcelo Moreira)
Correndo por Correr (Todo Mundo Um Dia Vai Embora) (Sandro Nunes/WW)
Candy (Iggy Pop)
Rodando El Mundo (WW, com citação de “Machu Pichu”, de Hermes Aquino)
Maverickão (Zicco Cardoso)
Mantra das Possibilidades (WW)
Um Lugar do Caralho (Flávio Basso a.k.a Júpiter Maçã)
Última Canção (Vico)
Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo (WW)
Amigo Punk (Frank Jorge)
Saturday, October 21, 2006
100 páginas de puro sexo
Sexo é a união de duas ou mais pessoas em busca de prazer. Sexo heterossexual é a união de um homem e uma mulher em busca de prazer, portanto é a união de pintos e bucetas em busca do bem mútuo daquelas duas pessoas que compartilham a alcova, o chão do banheiro, a pia da cozinha, o motel, enfim, qualquer lugar... E com a mercantilização do sexo, ou seja, desde que o samba é samba (afinal não dizem que a prostituição foi a primeira profissão???) veio o erotismo e a pornografia, duas faces de uma mesma moeda _a demonstração ao público de manifestações pessoais tidas íntimas: o corpo e o sexo até então invioláveis.
Entretanto, no mercado editorial de revistas eróticas brasileiro e, para bem dizer, mundial, sempre imperou o termo revista masculina. Enquanto que no mercado pornô, a busca por produtos que agradassem a platéia feminina, como filmes de softcore ou de pornôs com história, por exemplo, começava, nos idos dos 80, a abrir um veio em busca do mercado feminino, o mercado de revistas eróticas de estagnou nesse sentido. Com a revolução trazida pela web e a crescente produção de vídeos caseiros proporcionados pelas web cams, esse mercado parece quase obsoleto, colocando mulheres até então insuspeitas em busca da realização de suas fantasias em meio aos downloads e uploads.
A boa surpresa é o retorno do título EleEla, mais Ela do que nunca. Do alto de seus 37 anos, a revista renasce com um projeto editorial (de Wagner Carelli) e gráfico soberbo, com sexo em suas 100 páginas, com muitas bocetas e também com pinto (afinal essa história tem duas metades), mas mantendo algumas tradições como a sessão Fórum, repaginada, com textos de primeira, como o belíssimo conto “Truco”, de Ivana Arruda Leite.
Em busca desse futuro, a revista parece seguir um promissor caminho (sem volta, espero). Já começa mostrando o trabalho de duas exibidas da internet, Olívia e Rosa, duas amigas que gostam de fotografar uma a outra, nuas. Não há praticamente uma página sem link para a web (será uma dica que o futuro está lá fora, ou melhor, na rede?) e tirando a página com o retrato do genial Contardo Calligaris, praticamente não há nenhuma página que não exale sexo. Enfim, surge uma revista erótica não exclusivamente masculina, uma revista que um homem e uma mulher podem ler juntos e não um de cada vez. Boas transas para todos e vida longa à nova EleEla.
Entretanto, no mercado editorial de revistas eróticas brasileiro e, para bem dizer, mundial, sempre imperou o termo revista masculina. Enquanto que no mercado pornô, a busca por produtos que agradassem a platéia feminina, como filmes de softcore ou de pornôs com história, por exemplo, começava, nos idos dos 80, a abrir um veio em busca do mercado feminino, o mercado de revistas eróticas de estagnou nesse sentido. Com a revolução trazida pela web e a crescente produção de vídeos caseiros proporcionados pelas web cams, esse mercado parece quase obsoleto, colocando mulheres até então insuspeitas em busca da realização de suas fantasias em meio aos downloads e uploads.
A boa surpresa é o retorno do título EleEla, mais Ela do que nunca. Do alto de seus 37 anos, a revista renasce com um projeto editorial (de Wagner Carelli) e gráfico soberbo, com sexo em suas 100 páginas, com muitas bocetas e também com pinto (afinal essa história tem duas metades), mas mantendo algumas tradições como a sessão Fórum, repaginada, com textos de primeira, como o belíssimo conto “Truco”, de Ivana Arruda Leite.
Em busca desse futuro, a revista parece seguir um promissor caminho (sem volta, espero). Já começa mostrando o trabalho de duas exibidas da internet, Olívia e Rosa, duas amigas que gostam de fotografar uma a outra, nuas. Não há praticamente uma página sem link para a web (será uma dica que o futuro está lá fora, ou melhor, na rede?) e tirando a página com o retrato do genial Contardo Calligaris, praticamente não há nenhuma página que não exale sexo. Enfim, surge uma revista erótica não exclusivamente masculina, uma revista que um homem e uma mulher podem ler juntos e não um de cada vez. Boas transas para todos e vida longa à nova EleEla.
A primeira polêmica
Enfim o blog tem sua primeira polêmica! Êba!!! Num momento ego-surfing mais do que justo, o músico Ricárdo Cunha, da banda Super Reverb, reclama a correção de uma informação em um parágrafo do post Carta à WW (23 de setembro de 2006), no qual eu falo de um recente show de Wander Wildner em São Paulo e expresso meu descontentamento com o show da banda de abertura_ a banda dele.
Sei o quanto é duro o trabalho de uma banda (afinal já tive duas e convivi de perto com várias outras, algumas bem sucedidas, outras não) e não duvido que a dele deve trabalhar muito. Mas ali apenas quis expressar meu descontentamento com o som dos caras.
Entretanto, cometi um erro de informação ao ter dito que eles apresentaram uma música dos Stones como sendo da banda CokeLuxe, o qual corrijo agora (leia aqui a nova versão do post e desça até o final para ler o comentário do Ricárdo). Aliás, pesquisei e relembrei que “It´s All Over Now”, eternizada por Jagger e Cia., é uma versão rascante para uma composição dos americanos Bobby e Shirley Jean Womack. Na verdade, eles apresentaram a música (tocaram uma versão em português) como se fosse de Eddy Teddy, amigo dos caras, autor de uma versão em português do clássico dos Stones, boa, por sinal, melhor momento do show.
Reproduzo abaixo e-mail que enviei para o músico no dia 20 de outubro, assim que fui notificado pela Blogger sobre o comentário dele.
“Ricardão,
Muito obrigado pelo seu comentário no meu blog. Nada contra a mistura de
estilos. Minha coleção tem de tudo. Só não gostei do som da sua banda,
acontece. Adoro rockabilly, antigo e moderno, de Little Richard a Stray
Cats, mas com sua banda, sei lá, seja ela eclética ou predominantemente
rockabilly, não gostei.
Sobre a correção com relação ao nome do Cokeluxe, muito obrigado! De
coração. E realmente minha memória (e principalmente, o som do Studio SP)
pode ter me traído, mas ouvi uma menção à banda durante o show, pode não ter
sido neste momento, sobre o que me desculpo. Farei uma nova edição do texto
e um post para chamar a atenção sobre a correção no fim de semana (não posso
fazer isso de onde estou neste momento) em que apenas criticarei não ter
sido dado o devido crédito à canção eternizada pelos Rolling Stones, mas de
autoria de Bobby e Shirley Jean Womack, acabei de pesquisar.
Lamento, entretanto, a análise que você faz sobre o jornalismo. É uma
profissão em crise, mas que tem muita gente correta, não todas, como em
qualquer profissão do mundo, inclusive na música, carreira que eu tentei,
mas não abracei. Quanto ao blog, ele não é essencialmente jornalístico, ele
é pessoal, um apanhado de impressões pessoais, sem obrigação para com a
correção jornalística, com a qual coaduno.
Um abraço,
Marcelo
P.S.: E continue escrevendo, escrever é muito bom mesmo.”
Mesmo não concordando com vários pontos do comentário de Ricárdo, me ative a corrigir a informação e não aquecer a polêmica, apesar da brincadeira no título deste post. Entretanto, não recuo um milímetro do que quis expressar naquele parágrafo: não gostei do som da banda, que tanto poderia estar num mal dia ou ser ruim mesmo. O som da casa também não estava lá essas coisas... acontece. E espero não magoar os sentimentos de ninguém em nenhum post futuro.
Sei o quanto é duro o trabalho de uma banda (afinal já tive duas e convivi de perto com várias outras, algumas bem sucedidas, outras não) e não duvido que a dele deve trabalhar muito. Mas ali apenas quis expressar meu descontentamento com o som dos caras.
Entretanto, cometi um erro de informação ao ter dito que eles apresentaram uma música dos Stones como sendo da banda CokeLuxe, o qual corrijo agora (leia aqui a nova versão do post e desça até o final para ler o comentário do Ricárdo). Aliás, pesquisei e relembrei que “It´s All Over Now”, eternizada por Jagger e Cia., é uma versão rascante para uma composição dos americanos Bobby e Shirley Jean Womack. Na verdade, eles apresentaram a música (tocaram uma versão em português) como se fosse de Eddy Teddy, amigo dos caras, autor de uma versão em português do clássico dos Stones, boa, por sinal, melhor momento do show.
Reproduzo abaixo e-mail que enviei para o músico no dia 20 de outubro, assim que fui notificado pela Blogger sobre o comentário dele.
“Ricardão,
Muito obrigado pelo seu comentário no meu blog. Nada contra a mistura de
estilos. Minha coleção tem de tudo. Só não gostei do som da sua banda,
acontece. Adoro rockabilly, antigo e moderno, de Little Richard a Stray
Cats, mas com sua banda, sei lá, seja ela eclética ou predominantemente
rockabilly, não gostei.
Sobre a correção com relação ao nome do Cokeluxe, muito obrigado! De
coração. E realmente minha memória (e principalmente, o som do Studio SP)
pode ter me traído, mas ouvi uma menção à banda durante o show, pode não ter
sido neste momento, sobre o que me desculpo. Farei uma nova edição do texto
e um post para chamar a atenção sobre a correção no fim de semana (não posso
fazer isso de onde estou neste momento) em que apenas criticarei não ter
sido dado o devido crédito à canção eternizada pelos Rolling Stones, mas de
autoria de Bobby e Shirley Jean Womack, acabei de pesquisar.
Lamento, entretanto, a análise que você faz sobre o jornalismo. É uma
profissão em crise, mas que tem muita gente correta, não todas, como em
qualquer profissão do mundo, inclusive na música, carreira que eu tentei,
mas não abracei. Quanto ao blog, ele não é essencialmente jornalístico, ele
é pessoal, um apanhado de impressões pessoais, sem obrigação para com a
correção jornalística, com a qual coaduno.
Um abraço,
Marcelo
P.S.: E continue escrevendo, escrever é muito bom mesmo.”
Mesmo não concordando com vários pontos do comentário de Ricárdo, me ative a corrigir a informação e não aquecer a polêmica, apesar da brincadeira no título deste post. Entretanto, não recuo um milímetro do que quis expressar naquele parágrafo: não gostei do som da banda, que tanto poderia estar num mal dia ou ser ruim mesmo. O som da casa também não estava lá essas coisas... acontece. E espero não magoar os sentimentos de ninguém em nenhum post futuro.
Monday, October 02, 2006
Eu me lembrarei dessa noite para sempre
À tarde Liebe Dich havia se materializado num telefonema de dois minutos, depois, como névoa, sumiu de novo... Antes que a ansiedade me destruísse completamente, fiz o que costumo fazer nessas situações: fui ao cinema. Queria ver “O Maior Amor do Mundo”, mas a fila para comprar o ingresso estava enorme depois que o Gerald Thomas bombou o filme em um artigo para a Folha de S. Paulo.
Atravessei a rua e optei por uma grata surpresa: o primeiro longa de Edgard Navarro, do média-metragem “Superoutro” (quem nunca viu esta pérola, procure-a), “Eu Me Lembro”. O filme é maravilhoso, um raro mergulho autobiográfico de um cineasta brasileiro. Cheio de memórias, faltou apenas o sabor da cocada, o cheiro do baseado e o aroma de alfazema para que o deja vu fosse completo.
As canções, as cores, a cenografia, o sotaque baiano, enfim, tudo, me trouxeram também lembranças da minha mais tenra infância. Muito daquilo contado ali está presente no epitélio da minha subconsciência. O canto, a mãe preta, todos aqueles elementos me trouxeram a memória minha primeira viagem ao interior de Sergipe, quando tinha cinco anos... Com toda essa idade, aquela viagem foi um marco em minha vida. Foi quando despertei e descobri que o mundo não era apenas eu.
O contato com a cena agreste de Sergipe foi um choque para um garotinho bem criado de Santos, que crescia à um quarteirão da praia. O contraste entre as duas realidades me trouxe um estranhamento natural, cujo auge se deu no contato com a benzedeira preta (é a primeira lembrança que tenho de uma pessoa tão preta). O contato da arruda molhada com água benta na minha testa, o cheiro do insenso com a arruda, a reza cantada em voz aguda e alta, me fizeram gritar, espernear, chorar enraivecidamente, com ódio de meus pais. Porque eu estava ali?
Eu estava porque tinha que ser batizado naquela cultura. Foi um ritual. Eu era aquilo tudo e não poderia negar jamais. Sou filho de nordestinos e toda aquela força terrena está no meu sangue. É da terra que tudo brota e é daquele barro que eu sou feito. Agradeço até hoje ao meu pai por aquele batismo de sangue, aquele momento, me inundando com a nossa cultura... Hoje não tenho mais medo de sarapatel e dobradinha e tento descobrir, em cinco minutos, de onde é cada nordestino com quem eu converso. Eu amo esse povo.
E a noite prosseguiu. Liguei para o velho companheiro de guerra, MS. Depois de um papo agradável e muita comida no Exquisito!, atravessamos a rua e fomos na Funhouse. Apesar de ter quebrado minha promessa e bebido pacas, inclusive vodka, eu lembro de absolutamente tudo, viu, Rê... Até quinta...
Atravessei a rua e optei por uma grata surpresa: o primeiro longa de Edgard Navarro, do média-metragem “Superoutro” (quem nunca viu esta pérola, procure-a), “Eu Me Lembro”. O filme é maravilhoso, um raro mergulho autobiográfico de um cineasta brasileiro. Cheio de memórias, faltou apenas o sabor da cocada, o cheiro do baseado e o aroma de alfazema para que o deja vu fosse completo.
As canções, as cores, a cenografia, o sotaque baiano, enfim, tudo, me trouxeram também lembranças da minha mais tenra infância. Muito daquilo contado ali está presente no epitélio da minha subconsciência. O canto, a mãe preta, todos aqueles elementos me trouxeram a memória minha primeira viagem ao interior de Sergipe, quando tinha cinco anos... Com toda essa idade, aquela viagem foi um marco em minha vida. Foi quando despertei e descobri que o mundo não era apenas eu.
O contato com a cena agreste de Sergipe foi um choque para um garotinho bem criado de Santos, que crescia à um quarteirão da praia. O contraste entre as duas realidades me trouxe um estranhamento natural, cujo auge se deu no contato com a benzedeira preta (é a primeira lembrança que tenho de uma pessoa tão preta). O contato da arruda molhada com água benta na minha testa, o cheiro do insenso com a arruda, a reza cantada em voz aguda e alta, me fizeram gritar, espernear, chorar enraivecidamente, com ódio de meus pais. Porque eu estava ali?
Eu estava porque tinha que ser batizado naquela cultura. Foi um ritual. Eu era aquilo tudo e não poderia negar jamais. Sou filho de nordestinos e toda aquela força terrena está no meu sangue. É da terra que tudo brota e é daquele barro que eu sou feito. Agradeço até hoje ao meu pai por aquele batismo de sangue, aquele momento, me inundando com a nossa cultura... Hoje não tenho mais medo de sarapatel e dobradinha e tento descobrir, em cinco minutos, de onde é cada nordestino com quem eu converso. Eu amo esse povo.
E a noite prosseguiu. Liguei para o velho companheiro de guerra, MS. Depois de um papo agradável e muita comida no Exquisito!, atravessamos a rua e fomos na Funhouse. Apesar de ter quebrado minha promessa e bebido pacas, inclusive vodka, eu lembro de absolutamente tudo, viu, Rê... Até quinta...
O mundo precisa ouvir Steve Marriot
Estou completamente fascinado por Small Faces e seu líder, Steve Marriot. Junto com outro gênio, Ronnie Lane (que depois montou os Faces com Rod Stewart e Ron Wood), o cantor baixinho e cabeçudo criou umas das melhores pérolas pop dos anos 60, como “Itchycoo Park” e seu lado B, “I´m Only Dreaming”, “All Or Nothing”, “Here Comes The Nice” e “My Mind´s Eye”.
Estou ouvindo a banda o tempo inteiro, nos últimos dias. Meu primeiro contato com os caras foi através do compacto simples de Itchycoo/I´m Only, que eu comprei num sebo de Santos por R$ 1... Hahahahaha. Depois, a curiosidade ficou ali, atiçando, e fiquei uns três anos percorrendo lojas de CDs atrás do vol. 32 da Definitive Collection, uma série alemã, pirataça, lançada no Brasil pela Paradoxx (às vezes aparecem uns volumes dessa série na Neto Discos e na Virtual Discos).
Entretanto, o que me fez ter certeza que os caras são gênios foi o You Tube, onde assisti uma performance impressionante de Marriot e a da banda no programa Beat Beat Beat, da TV Alemã, por volta de 1965, onde eles interpretam “Hey Girl”, “Watcha Gonna Do About It” e “Sha La La La Lee”, seus três primeiros sucessos. Marriot tem uma voz impressionante ao vivo e uma performance que, na época, deixava no chinelo Mick Jagger e Ray Davies.
Outra coisa que está me impressionando é a semelhança do vocal de Robert Plant com o de Marriot em alguns momentos. A voz do cantor do Small Faces que, após o fim da banda, criou a boa banda de hard rock Humble Pie, que revelou Peter Frampton, é uma espécie de protótipo das maneirices dos vocalistas de hard rock, como Plant e Paul Rodgers (Free). Para quem acha a comparação bizarra, faça a checagem comparando as versões de Plant e do Small Faces para o clássico “If I Were a Carpenter”.
Para quem ainda tem dúvidas de que a obra de Marriot, morto em 1991, é perene, procure ou baixe o DVD Tributo a Steve Marriot, gravado em 20 de abril de 2001 no Astoria Theatre, em Londres. O show teve as presenças de Noel Gallagher, Paul Weller, Peter Frampton, Kenny Jones e Ian MacLagan. O Humble Pie se reuniu após trinta anos para este show e toca seus clássicos como “I Don´t Need No Doctor”, a versão de Weller com Noel, Jones, MacLagan e Gem Archer de “I´m Only Dreaming” é inesquecível. O DVD é achável nas bancas da região da Paulista, custa R$ 12,90.
Estou ouvindo a banda o tempo inteiro, nos últimos dias. Meu primeiro contato com os caras foi através do compacto simples de Itchycoo/I´m Only, que eu comprei num sebo de Santos por R$ 1... Hahahahaha. Depois, a curiosidade ficou ali, atiçando, e fiquei uns três anos percorrendo lojas de CDs atrás do vol. 32 da Definitive Collection, uma série alemã, pirataça, lançada no Brasil pela Paradoxx (às vezes aparecem uns volumes dessa série na Neto Discos e na Virtual Discos).
Entretanto, o que me fez ter certeza que os caras são gênios foi o You Tube, onde assisti uma performance impressionante de Marriot e a da banda no programa Beat Beat Beat, da TV Alemã, por volta de 1965, onde eles interpretam “Hey Girl”, “Watcha Gonna Do About It” e “Sha La La La Lee”, seus três primeiros sucessos. Marriot tem uma voz impressionante ao vivo e uma performance que, na época, deixava no chinelo Mick Jagger e Ray Davies.
Outra coisa que está me impressionando é a semelhança do vocal de Robert Plant com o de Marriot em alguns momentos. A voz do cantor do Small Faces que, após o fim da banda, criou a boa banda de hard rock Humble Pie, que revelou Peter Frampton, é uma espécie de protótipo das maneirices dos vocalistas de hard rock, como Plant e Paul Rodgers (Free). Para quem acha a comparação bizarra, faça a checagem comparando as versões de Plant e do Small Faces para o clássico “If I Were a Carpenter”.
Para quem ainda tem dúvidas de que a obra de Marriot, morto em 1991, é perene, procure ou baixe o DVD Tributo a Steve Marriot, gravado em 20 de abril de 2001 no Astoria Theatre, em Londres. O show teve as presenças de Noel Gallagher, Paul Weller, Peter Frampton, Kenny Jones e Ian MacLagan. O Humble Pie se reuniu após trinta anos para este show e toca seus clássicos como “I Don´t Need No Doctor”, a versão de Weller com Noel, Jones, MacLagan e Gem Archer de “I´m Only Dreaming” é inesquecível. O DVD é achável nas bancas da região da Paulista, custa R$ 12,90.
Nova série: Listas Bestas 1
Momento Rob Fleming...
Dez melhores rrrrrrocks e baladas com sax... Jazz não vale
Nem curto sax e o uso exagerado de metais pode ser prejudicial ao rrrrrrrrock, mas outro dia estava pensando que, às vezes, um sax vai bem.
Never Tear Us Apart – INXs
Bitch e Brown Sugar – Rolling Stones, as duas com Bobby Keys no sax
Aladin Sane – David Bowie
Where Have All The Good Times Gone – vers. do Bowie, com o próprio camaleão no sax
Money – Pink Floyd
You Know My Name (Look Up The Number) - Beatles, com Brian Jones (Stones) no sax
I´m Only Dreaming – Small Faces (tem três segundos de sax, mais ou menos, mas entra devido meu momento Small Faces)
Good Golly Miss Molly – Little Richard
Shipbuilding – Elvis Costello
Dez melhores rrrrrrocks e baladas com sax... Jazz não vale
Nem curto sax e o uso exagerado de metais pode ser prejudicial ao rrrrrrrrock, mas outro dia estava pensando que, às vezes, um sax vai bem.
Never Tear Us Apart – INXs
Bitch e Brown Sugar – Rolling Stones, as duas com Bobby Keys no sax
Aladin Sane – David Bowie
Where Have All The Good Times Gone – vers. do Bowie, com o próprio camaleão no sax
Money – Pink Floyd
You Know My Name (Look Up The Number) - Beatles, com Brian Jones (Stones) no sax
I´m Only Dreaming – Small Faces (tem três segundos de sax, mais ou menos, mas entra devido meu momento Small Faces)
Good Golly Miss Molly – Little Richard
Shipbuilding – Elvis Costello
Wednesday, September 27, 2006
Hoje eu vi o horror e revivi um sonho passado
Pelo menos nove anos após nosso último encontro, revejo Aline em um restaurante japonês onde participava de um almoço de trabalho. O choque foi instantâneo. Ela estava mais alta (eu a conheci adolescente) e mais bela, sorriu seu melhor sorriso, entre surpresa e abalada. Eu levantei imediatamente da cadeira e a abracei demoradamente, conversamos pouco, pois estava trabalhando e peguei tudo que eu busquei durante os últimos nove anos, conversando com amigos em comum nossos, seu telefone e seu endereço.
Findo o almoço de trabalho, devidamente atrapalhado pelo choque, segurava aquele pedaço de papel como se fosse a minha vida. A memória de momentos emocionantes de minha vida estavam ali. Na época da faculdade, Aline era a minha parceira de rock´n´roll. Uma das maiores artistas que conheci, com múltiplos talentos (suas dobraduras e caricaturas são inesquecíveis), ela deu um pira em todos nós, viveu na Europa (Firenze e Barcelona), vendeu artesanato, dizem, chutou tudo e eu quero muito saber o quanto é verdade e contar tudo o que aconteceu comigo nesse tempo (é claro que já deu para mostrar a foto da minha filha!!!).
Mas não deu tempo de dizer, Aline, o quanto eu te amo e o quanto eu te admiro e o quanto eu sempre pensei em você. E eu vou falar tudo. Novidades nos próximos capítulos.
Ao acordar do sonho, vi o horror pouco depois. Em seguida ao almoço, saí para uma diligência de trabalho. Objetivo: visitar um abrigo de crianças com deficiência mental em situação de risco _em bom português: crianças deficientes abandonadas por suas famílias e que, tuteladas pelo Estado, passam a vida perambulando entre instituições pestilentas e imundas, como o local visitado ontem.
Vinte e cinco crianças, adolescentes e adultos, entre elas três moças, dividiam três quartos imundos, com colchões no chão, amontoados um sobre o outro. O cheiro de urina e mofo tomava conta do lugar. Todos estavam há dois meses no local, sem atendimento médico, odontológico e psiquiátrico. Remédios tarja preta eram armazenados na mesma dispensa que o arroz e o feijão. Já visitei cadeias em delegacias, já visitei unidades da Febem, mas ali, enfim, me senti no inferno_ o inferno do abandono, onde crianças de nove anos têm que lavar as próprias roupas.
Pedimos pelas fichas das crianças e nada. A resposta dada é que as crianças sairão dali no próximo sábado e irão para um prédio do Estado. E esses dois meses já passados, como o Estado vai recuperar? Mas, por incrível que pareça, as crianças e adolescentes nos contavam que aquele local nojento e imundo era melhor que o último abrigo onde estiveram, em Embú-Guaçu, onde eram agredidos e humilhados por supostos educadores.
A decisão saiu na hora. Chamamos a imprensa e mandamos um relatório urgente para o Juizado da Infãncia e da Juventude. Esperamos que antes de sábado elas saiam de lá. Carentes, os mais novos, principalmente, seguravam nossas mãos e pediam para ser adotados, seguravam minha câmera fotográfica e o gravador que emprestei para uma colega tomar depoimentos, pediam para ser fotografados em suas roupas maltrapilhas. Ofereciam seus melhores sorrisos e eu queria gritar, mas não podia. Quero apenas retransmitir-lhes seus gritos.
Findo o almoço de trabalho, devidamente atrapalhado pelo choque, segurava aquele pedaço de papel como se fosse a minha vida. A memória de momentos emocionantes de minha vida estavam ali. Na época da faculdade, Aline era a minha parceira de rock´n´roll. Uma das maiores artistas que conheci, com múltiplos talentos (suas dobraduras e caricaturas são inesquecíveis), ela deu um pira em todos nós, viveu na Europa (Firenze e Barcelona), vendeu artesanato, dizem, chutou tudo e eu quero muito saber o quanto é verdade e contar tudo o que aconteceu comigo nesse tempo (é claro que já deu para mostrar a foto da minha filha!!!).
Mas não deu tempo de dizer, Aline, o quanto eu te amo e o quanto eu te admiro e o quanto eu sempre pensei em você. E eu vou falar tudo. Novidades nos próximos capítulos.
Ao acordar do sonho, vi o horror pouco depois. Em seguida ao almoço, saí para uma diligência de trabalho. Objetivo: visitar um abrigo de crianças com deficiência mental em situação de risco _em bom português: crianças deficientes abandonadas por suas famílias e que, tuteladas pelo Estado, passam a vida perambulando entre instituições pestilentas e imundas, como o local visitado ontem.
Vinte e cinco crianças, adolescentes e adultos, entre elas três moças, dividiam três quartos imundos, com colchões no chão, amontoados um sobre o outro. O cheiro de urina e mofo tomava conta do lugar. Todos estavam há dois meses no local, sem atendimento médico, odontológico e psiquiátrico. Remédios tarja preta eram armazenados na mesma dispensa que o arroz e o feijão. Já visitei cadeias em delegacias, já visitei unidades da Febem, mas ali, enfim, me senti no inferno_ o inferno do abandono, onde crianças de nove anos têm que lavar as próprias roupas.
Pedimos pelas fichas das crianças e nada. A resposta dada é que as crianças sairão dali no próximo sábado e irão para um prédio do Estado. E esses dois meses já passados, como o Estado vai recuperar? Mas, por incrível que pareça, as crianças e adolescentes nos contavam que aquele local nojento e imundo era melhor que o último abrigo onde estiveram, em Embú-Guaçu, onde eram agredidos e humilhados por supostos educadores.
A decisão saiu na hora. Chamamos a imprensa e mandamos um relatório urgente para o Juizado da Infãncia e da Juventude. Esperamos que antes de sábado elas saiam de lá. Carentes, os mais novos, principalmente, seguravam nossas mãos e pediam para ser adotados, seguravam minha câmera fotográfica e o gravador que emprestei para uma colega tomar depoimentos, pediam para ser fotografados em suas roupas maltrapilhas. Ofereciam seus melhores sorrisos e eu queria gritar, mas não podia. Quero apenas retransmitir-lhes seus gritos.
Monday, September 25, 2006
An Ideal For Living
Maria Schneider: Terminou, acabou, chega!
Marlon Brando: Terminou e agora começa tudo de novo, e de novo, de novo...
Sensacional, não???
A vida podia ser como ``O Último Tango em Paris´´ (dir. Bernardo Bertolucci, 1972), não é?
Marlon Brando: Terminou e agora começa tudo de novo, e de novo, de novo...
Sensacional, não???
A vida podia ser como ``O Último Tango em Paris´´ (dir. Bernardo Bertolucci, 1972), não é?
Impulso e controle
Gente, faz um frio absurdo em São Paulo neste momento. Há exatamente 40 minutos, às 23h36, saí de casa, com o pijama por baixo da jaqueta, em direção ao supermercado 24 horas que fica um quarteirão e meio _e duas avenidas atravessadas_ de casa. Objetivo: comprar algo doce que não fosse sorvete (a droga mais pesada que eu consumo).
Consegui resistir ao sorvete, mas o impulso por doce era monstruoso. Antes de pagar as comprinhas, já tinha tomado um chandele e terminei o outro antes de chegar na esquina da primeira avenida, no caminho de volta. Na seqüência, abri e comecei a comer o biscoito Negresco, o outro item da compra. Após cruzar o portão do prédio, comecei a sentir enjôo. Parei. O pacote ficou pela metade, provavelmente ficará daquele jeito no armário por um bom tempo agora.
Impulsos. Tenho (não) lidado com eles a vida toda. A começar pelas minhas coleções, que foram sendo interrompidas ao longo do tempo: figurinhas, action heroes, selos, Playboys, até chegar aos discos (com esta paixão e a anterior eu não parei!!!). Depois ou simultâneamente vieram as paixões, primeiro as platônicas (de vez em quando eu ainda faço essa merda), depois todas as demais, sempre insanas, com direito a poucos amores e muitos machucados...
E assim as paixões e impulsos têm me domado. Ontem, conversava com um amigo, que pregava: “triste o homem que se deixa dominar pela carne”. Em seguida, conversava com uma ex-, convertida em amiga (na verdade, ela nunca deixou de ser amiga, mas é ex-também, merece o crédito) e ela me disse: “você precisa de controle”.
E, apesar de eu, até hoje, não ter corrido nenhum risco de vida absurdo, de não ter estado perto da morte de verdade, sei os riscos que uma vida desregrada pode trazer. Eu sempre soube disso. Hoje sei mais ainda, afinal tem uma pequena-grande menina de 6 anos que precisa de mim a 700 km daqui. Faz seis meses estava com o colesterol alto, o triglicérides na puta que pariu... E eu os venci, emagreci, fiz dieta, tomei 45 dias dos 90 previstos de remédio e tá lá, os índices baixaram.
Porque não posso fazer isso com a minha paixão, com o meu dinheiro, com minha libido, com minha paixão pelo álcool? Porque tenho que me apaixonar por todo sorriso ou unhas vermelhas em um pé branco toda vez que vejo uns, porque tenho que gastar todo meu dinheiro em pouco tempo e me endividar como um suicida louco, porque tenho que trepar toda vez que tenho vontade, mesmo sem ter ninguém com quem trepar, porque tenho que beber muito toda vez que saio? É preciso controle. E, muitas vezes, sobre a bike, eu tenho todo o controle... Essa magrelinha tem sido fundamental. As próximas vítimas serão os livros parados na estante... Pasarán todos!!!
Consegui resistir ao sorvete, mas o impulso por doce era monstruoso. Antes de pagar as comprinhas, já tinha tomado um chandele e terminei o outro antes de chegar na esquina da primeira avenida, no caminho de volta. Na seqüência, abri e comecei a comer o biscoito Negresco, o outro item da compra. Após cruzar o portão do prédio, comecei a sentir enjôo. Parei. O pacote ficou pela metade, provavelmente ficará daquele jeito no armário por um bom tempo agora.
Impulsos. Tenho (não) lidado com eles a vida toda. A começar pelas minhas coleções, que foram sendo interrompidas ao longo do tempo: figurinhas, action heroes, selos, Playboys, até chegar aos discos (com esta paixão e a anterior eu não parei!!!). Depois ou simultâneamente vieram as paixões, primeiro as platônicas (de vez em quando eu ainda faço essa merda), depois todas as demais, sempre insanas, com direito a poucos amores e muitos machucados...
E assim as paixões e impulsos têm me domado. Ontem, conversava com um amigo, que pregava: “triste o homem que se deixa dominar pela carne”. Em seguida, conversava com uma ex-, convertida em amiga (na verdade, ela nunca deixou de ser amiga, mas é ex-também, merece o crédito) e ela me disse: “você precisa de controle”.
E, apesar de eu, até hoje, não ter corrido nenhum risco de vida absurdo, de não ter estado perto da morte de verdade, sei os riscos que uma vida desregrada pode trazer. Eu sempre soube disso. Hoje sei mais ainda, afinal tem uma pequena-grande menina de 6 anos que precisa de mim a 700 km daqui. Faz seis meses estava com o colesterol alto, o triglicérides na puta que pariu... E eu os venci, emagreci, fiz dieta, tomei 45 dias dos 90 previstos de remédio e tá lá, os índices baixaram.
Porque não posso fazer isso com a minha paixão, com o meu dinheiro, com minha libido, com minha paixão pelo álcool? Porque tenho que me apaixonar por todo sorriso ou unhas vermelhas em um pé branco toda vez que vejo uns, porque tenho que gastar todo meu dinheiro em pouco tempo e me endividar como um suicida louco, porque tenho que trepar toda vez que tenho vontade, mesmo sem ter ninguém com quem trepar, porque tenho que beber muito toda vez que saio? É preciso controle. E, muitas vezes, sobre a bike, eu tenho todo o controle... Essa magrelinha tem sido fundamental. As próximas vítimas serão os livros parados na estante... Pasarán todos!!!
Saturday, September 23, 2006
Carta à WW
São Paulo, 23 de setembro de 2006,
Caro Sr. Wanderlei Luís Wildner,
Venho por estas mal traçadas linhas dizer que o show do senhor ontem no Studio SP foi foda. Putaquipariu, o show foi pau-a-pau com os dois maiores espetáculos de sua arte que eu assisti_ o show especial de Curitiba Rock Festival, em 2004, com o Frank Jorge, e um show que o senhor deu em 2000, quando estava na Trama (calma, vai passar!!!), no Blen-Blen, com o Júpiter Maça abrindo. O show foi tão bom que fiquei com uma conterrânea vossa aquele dia...
Bem, Wander, posso te chamar assim? Olha, o senhor arrumou uma puta banda boa agora, hein... A baixista, além de ser uma espoleta, toca bem pacas, e o guitarrista ainda precisa dar umas ensaiadas, mas quando ele dá aqueles solinhos Neil Young, o som fica maravilhoso, mais adequado ainda às proporções de seu talento.
Meu caro, agora eu queria tecer considerações sobre o local do show. Puta lugarzinho metido do caralho... Casa de artista pau no rabo do carai, velho... Tava de ressaca e com sono e não queria beber mais. Fui pedir uma coca, o negócio veio quente, fora os DJs que tocaram: dois imbecis, querendo dar showzinho. O primeiro parecia que achava que só tem rock nos EUA, só tocou Strokes e outras bandas americanas que acham que os anos 80 foram do caralho. Foram bons, só. O segundo chegou na maior marra, ligou um computadorzinho todo cheio das luzinhas e só acertou no final quando tocou “Se Você Pensa”, do Rei.
Meu, e teve aquela banda de abertura, o Super Reverb, que acha que toca rockabilly. Perdoando o colega baixista, o resto foi uma tristeza... Como na hora em que o vocalista anunciou que iria tocar uma música de um amigo dele, chamado Eddy Teddy!!! O negócio era uma versão de “It´s All Over Now” (Bobby e Shirley Jean Womack), eternizada pelos Stones... Assim não dá. Pô, afinal Wander, o povo estava no Studio SP para ver WW, não para ver o DJ ou Super Reverb, que ainda reclamou que o show terminou antes do combinado!!!
Mas falando em versões, vamos tecer considerações sobre seu repertório, Wander. Falando em covers, vamos começar por elas. Caceta: abrir com “Ganas de Vivir” foi genial, emocionante. O senhor tocou “Candy” também, “Lonely Boy”, metade na versão do Roger (não é?), metade no original. E tocou dois clássicos geniais do rock gaudério: “Um Lugar do Caralho”, de um tal de Flávio Basso, e “Empregada”, do tal do Frank Jorge... Me senti em POA, isso porque nunca estive lá. Se Deus quiser verei o Guaíba com os meus próprios olhos em novembro.
A versão que o senhor tocou de “Eu Não Consigo Ser Alegre o Dia Inteiro” foi demais! Comecei a lembrar da minha linda filha, que está morando longe de mim, em Maringá, de quem tenho saudades imensas. Ela é a maior fã do senhor, desde os dois anos de idade. Ela adora “O Sol que Me Ilumina”, “Eu não consigo...”, mas a preferida dela é “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita eu Te Amo”... Fiquei com um nó na garganta quando você tocou “camiseta”.
Foi um barato uma vez que viajamos juntos do Paraná para São Paulo e eu tive que explicar o que era porre. Imagina se ela ouvisse a versão que o senhor toca ao vivo... Um dia tenho certeza que eu e ela veremos um show do senhor juntos, aí, creio eu, ela já vai saber o que quer dizer aquela outra palavra que o senhor canta nessa música ao vivo... E eu não terei que passar pelo constrangimento de explicar.
E teve o bloco alcóolico de seu repertório, com “Bebendo Vinho” e “Quase um Alcóolatra”, que eu gosto muito e não esperava que o senhor a tocasse. É uma belíssima canção!
Bem, vou ficando por aqui e lhe desejo boa viagem e boa temporada!*
Um abração,
MO
*WW viajaria para um show em BH assim que terminasse o de SP. A partir da primeira terça-feira de outubro, tocará todas as terças com los Comancheros na casa “Mão Santa”, na rua Mourato Coelho, na Vila Madalena.
Caro Sr. Wanderlei Luís Wildner,
Venho por estas mal traçadas linhas dizer que o show do senhor ontem no Studio SP foi foda. Putaquipariu, o show foi pau-a-pau com os dois maiores espetáculos de sua arte que eu assisti_ o show especial de Curitiba Rock Festival, em 2004, com o Frank Jorge, e um show que o senhor deu em 2000, quando estava na Trama (calma, vai passar!!!), no Blen-Blen, com o Júpiter Maça abrindo. O show foi tão bom que fiquei com uma conterrânea vossa aquele dia...
Bem, Wander, posso te chamar assim? Olha, o senhor arrumou uma puta banda boa agora, hein... A baixista, além de ser uma espoleta, toca bem pacas, e o guitarrista ainda precisa dar umas ensaiadas, mas quando ele dá aqueles solinhos Neil Young, o som fica maravilhoso, mais adequado ainda às proporções de seu talento.
Meu caro, agora eu queria tecer considerações sobre o local do show. Puta lugarzinho metido do caralho... Casa de artista pau no rabo do carai, velho... Tava de ressaca e com sono e não queria beber mais. Fui pedir uma coca, o negócio veio quente, fora os DJs que tocaram: dois imbecis, querendo dar showzinho. O primeiro parecia que achava que só tem rock nos EUA, só tocou Strokes e outras bandas americanas que acham que os anos 80 foram do caralho. Foram bons, só. O segundo chegou na maior marra, ligou um computadorzinho todo cheio das luzinhas e só acertou no final quando tocou “Se Você Pensa”, do Rei.
Meu, e teve aquela banda de abertura, o Super Reverb, que acha que toca rockabilly. Perdoando o colega baixista, o resto foi uma tristeza... Como na hora em que o vocalista anunciou que iria tocar uma música de um amigo dele, chamado Eddy Teddy!!! O negócio era uma versão de “It´s All Over Now” (Bobby e Shirley Jean Womack), eternizada pelos Stones... Assim não dá. Pô, afinal Wander, o povo estava no Studio SP para ver WW, não para ver o DJ ou Super Reverb, que ainda reclamou que o show terminou antes do combinado!!!
Mas falando em versões, vamos tecer considerações sobre seu repertório, Wander. Falando em covers, vamos começar por elas. Caceta: abrir com “Ganas de Vivir” foi genial, emocionante. O senhor tocou “Candy” também, “Lonely Boy”, metade na versão do Roger (não é?), metade no original. E tocou dois clássicos geniais do rock gaudério: “Um Lugar do Caralho”, de um tal de Flávio Basso, e “Empregada”, do tal do Frank Jorge... Me senti em POA, isso porque nunca estive lá. Se Deus quiser verei o Guaíba com os meus próprios olhos em novembro.
A versão que o senhor tocou de “Eu Não Consigo Ser Alegre o Dia Inteiro” foi demais! Comecei a lembrar da minha linda filha, que está morando longe de mim, em Maringá, de quem tenho saudades imensas. Ela é a maior fã do senhor, desde os dois anos de idade. Ela adora “O Sol que Me Ilumina”, “Eu não consigo...”, mas a preferida dela é “Eu Tenho Uma Camiseta Escrita eu Te Amo”... Fiquei com um nó na garganta quando você tocou “camiseta”.
Foi um barato uma vez que viajamos juntos do Paraná para São Paulo e eu tive que explicar o que era porre. Imagina se ela ouvisse a versão que o senhor toca ao vivo... Um dia tenho certeza que eu e ela veremos um show do senhor juntos, aí, creio eu, ela já vai saber o que quer dizer aquela outra palavra que o senhor canta nessa música ao vivo... E eu não terei que passar pelo constrangimento de explicar.
E teve o bloco alcóolico de seu repertório, com “Bebendo Vinho” e “Quase um Alcóolatra”, que eu gosto muito e não esperava que o senhor a tocasse. É uma belíssima canção!
Bem, vou ficando por aqui e lhe desejo boa viagem e boa temporada!*
Um abração,
MO
*WW viajaria para um show em BH assim que terminasse o de SP. A partir da primeira terça-feira de outubro, tocará todas as terças com los Comancheros na casa “Mão Santa”, na rua Mourato Coelho, na Vila Madalena.
Sunday, September 17, 2006
Quem estava na Funhouse?
Olhando as fotos do Motomix, finalmente descobri quem estava na Funhouse na madruga de sexta para sábado. Além de Alex Kapranos, estavam presentes o baterista do Franz Ferdinand, Paul Thomson, o vocalista do Art Brut, Eddie Argos, que pessoalmente parece muito Oscar Wilde, e o guitarrista do AB, Chris Chinchilla, que era quem conversava com o headbanger brasiliense sobre Deep Purple. Para Argos, que parecia estar bem louco, este escriba recomendou: "Don´t worry, man! Just never get worried!"
Saturday, September 16, 2006
Franz Ferdinand na Funhouse
Alex Kapranos e sua entourage passaram esta madrugada (de sexta, 15, para sábado, 16) na Funhouse, em São Paulo. Kapranos, pelo menos mais um integrante do FF, roadies, amigos e talvez gente do Art Brut e uma cicerone brasileira foram curtir a verdadeira "casa de todas as casas".
A turma chegou por volta das 2h, circulou por todos os ambientes e acabou ficando de vez no lounge (piso superior), curtindo a jukebox com os fãs, onde tocava Weezer, FF (o brasileiro nem sabe agradar) e Clash. Um dos FFs se entretia com um headbanger falando de Deep Purple e a banda nem dava sinais de estar preocupada com a perseguição da prefeitura de São Paulo ao evento.
Na sexta, parte das performances programadas para o MIS e o Mube foram canceladas pela administração (Serra) Kassab. Até as 8h de hoje, o novo local da performance do FF, Art Brut e outros, prevista originalmente para um lugar medonho chamado Espaço das Américas, na Barra Funda, e também cancelada pela prefeitura, não estava agendado.
Apesar disso, a banda e seus amigos se divertiam numa boa, conversando com todos que os abordavam, especialmente Alex Kapranos, cuja masculinidade foi testada por uma bela fã-kosher carioca, que saiu satisfeita com o beijo do vocalista/guitarrista, cuja sexualidade é o assunto de mais matérias do que o som da banda. Destaque especial para uma turma grande de Brasília que veio à São Paulo especialmente para o show e que praticamente tomava conta do lounge da Funhouse, perguntando o tempo todo onde estava Clara Averbuck, e para Deborah, uma verdadeira Deusa.
A única cara feia na turma era a da cicerone da banda, que olhava preocupada a cada vez que alguém se aproximava, mas tanto Kapranos como seus amigos estavam curtindo mesmo o contato direto com o público.
E entre os fãs da banda que estavam na Funhouse o boato é que o show seria transferido da Barra Funda para o excelente Via Funchal, na Vila Olímpia, disparada a melhor casa de shows de São Paulo.
A turma chegou por volta das 2h, circulou por todos os ambientes e acabou ficando de vez no lounge (piso superior), curtindo a jukebox com os fãs, onde tocava Weezer, FF (o brasileiro nem sabe agradar) e Clash. Um dos FFs se entretia com um headbanger falando de Deep Purple e a banda nem dava sinais de estar preocupada com a perseguição da prefeitura de São Paulo ao evento.
Na sexta, parte das performances programadas para o MIS e o Mube foram canceladas pela administração (Serra) Kassab. Até as 8h de hoje, o novo local da performance do FF, Art Brut e outros, prevista originalmente para um lugar medonho chamado Espaço das Américas, na Barra Funda, e também cancelada pela prefeitura, não estava agendado.
Apesar disso, a banda e seus amigos se divertiam numa boa, conversando com todos que os abordavam, especialmente Alex Kapranos, cuja masculinidade foi testada por uma bela fã-kosher carioca, que saiu satisfeita com o beijo do vocalista/guitarrista, cuja sexualidade é o assunto de mais matérias do que o som da banda. Destaque especial para uma turma grande de Brasília que veio à São Paulo especialmente para o show e que praticamente tomava conta do lounge da Funhouse, perguntando o tempo todo onde estava Clara Averbuck, e para Deborah, uma verdadeira Deusa.
A única cara feia na turma era a da cicerone da banda, que olhava preocupada a cada vez que alguém se aproximava, mas tanto Kapranos como seus amigos estavam curtindo mesmo o contato direto com o público.
E entre os fãs da banda que estavam na Funhouse o boato é que o show seria transferido da Barra Funda para o excelente Via Funchal, na Vila Olímpia, disparada a melhor casa de shows de São Paulo.
Thursday, September 07, 2006
Scandurra e Vanessa no gargarejo

Como é bom voltar ao rock´n´roll!!! Estava havia alguns meses sem ir a um bom show de rock, desde um show do Ira! em praça pública. Em meio ao marasmo alucinado de muito trabalho, nem tinha atinado para as datas do Campari Rock e nem do que estaria em risco se perdesse os shows de Gang of Four e Cardigans_ duas bandas que não estão muito presentes em minha discoteca.
Apesar de ter influenciado boa parte da geração brasileira de músicos dos anos 80, como Ira!, minha banda preferida, a fase inicial dos Titãs e um pouco o pessoal de Brasília, nunca tinha parado para ouvir Gang of Four. Como não tenho um bom computador, nunca fiquei baixando música e algumas faixas ouvidas num iPod (é assim que escreve?) era tudo o que eu conhecia (valeu Helô!), fora os versos do refrão de “Damaged Goods” (your kiss so sweet/your taste so sour), já ouvidos em algumas baladas. Ponto.
Mas os tiozinhos, todos na casa dos 50 anos, ao vivo, impressionam. A começar pelo vocalista Jon King, cujos trejeitos foram imitados por inúmeros outros astros do rock, de Peter Garret, do Midnight Oil, a Renato Russo. O guitarrista Andy Gill, que produziu meio mundo nos anos 90, inclusive o Red Hot da época do guitarrista Hillel Slovak, é um show à parte com seus vocais e suas (des)sutilezas na guitarra alta, muito alta. Como o vocalista não toca nenhum instrumento, apenas destrói um microondas com um taco de beisebol, o baixo de Dave Allen assume muito mais funções do que apenas acompanhar. Muitas vezes ele é a base ritmíca sobre a qual Andy delira com apenas seis cordas. E o baterista Hugo Burnham, que não tocava desde 1986 e estava preocupado com seu som, segura a onda com competência.
Na platéia, do meu lado, meu ídolo, Edgard Scandurra, gritando como um garotão. Estranho ver o artista que você admira na platéia, pedindo uma música insistentemente, ali, do gargarejo. No show dos Cardigans, outra honra, Vanessa Krongold, do Ludov. Fiz questão de abrir passagem para a melhor cantora desse país poder tietar com paixão. Sorriso de fora a fora, admirando como uma cantora pode tão bem reencarnar outra. Nina Persson é Stevie Nicks quando jovem. Alguém tem que avisar o Cardigans para fazer um show tocando o Rumours inteiro...
Bem, e teve o Montage! Cara, uma das melhores performances de uma banda brasileira que eu vi na vida... O que é aquilo!
Renata, valeu pelo toque! Foi lindo.
Pra quem não viu o show, clique aqui para ver as fotos de Renata D´Elia, direto do gargarejo.
Sobre a foto: fim do show, minha amiga não resiste e pede 5 segundos para o Edgard. Eu preferi fazer um xiste e esticar o pescoço, bancando o "pirate´s parrot".
Sunday, August 27, 2006
Carta para ela
Olha, “sem rótulos” (hehehehe)... Não importa o que vai dar no final, o que importa é que tenho que dizer que esses últimos nove dias que eu tive foram maravilhosos. E aconteça o que acontecer, seja daqui mais nove dias ou nove meses, tenho que dizer que tive uma semana e pouco daquelas que se têm poucas oportunidades para viver. Uma semana com sete dias inesquecíveis, daquelas que, acho, todo mundo gostaria que acontecesse mais vezes na vida.
Estar contigo é um constante desafio, um eterno conquistar. Suas “exigências” só aumentam a minha vontade de acertar, a vontade de querer que dê certo. É por isso que aceito seus movimentos, suas cartas... Ao fazer tuas vontades, alimento também os meus desejos. Não estou infeliz nem um pouco, não houve tempo para infelicidade ainda.
E é com esse frescor da novidade que eu posso dizer que não estou trabalhando com parâmetros anteriores. Para mim, tudo em você é novo ou ganhou um novo frescor: andar de moto, fazer mais exercícios, falar tudo, contar coisas que antes eu achava impensáveis. Com você, amor, eu quero fazer muitos planos, tornar a realidade fantástica e minhas fantasias em realidade, e “sem rótulos”.
E essa é a letra de Balada Pra João e Joana (Samuel Rosa e Chico Amaral), cujos versos eu acho que tem um pouco a ver com nossa trajetória até agora:
Então os dois se acharam na escuridão
Ela com os pes no chão e ele não
Seu destino cego a lhes conduzir
Sua sorte à solta a lhes indicar um caminho
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se encontraram ali
Djô Djô, o mundo está tão mau lá fora
Djô Djô, onde irão vocês agora?
Então eles se deram na convicção
Feitos um pro outro, mas por exclusão
Seu destino cego a lhes conduzir
Sua sorte à solta a lhes indicar um caminho
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se encontraram ali
Djô Djô, cai um temporal lá fora
Djô Djô, onde irão vocês agora?
Eram os dois avessos aos normais
Ela com os pés no chão, e o chão se abriu
Um abismo
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se perderam ali
Djô Djô, nada pára, nada espera
Djô Djô, que o destino assim quisera
E tudo aconteceu
Quando as mãos se tocaram
Quando os olhos nem viram
Quando a noite chegou
E tudo estremeceu
As paredes do tempo
Os telhados do mundo
As cidades do céu
Estar contigo é um constante desafio, um eterno conquistar. Suas “exigências” só aumentam a minha vontade de acertar, a vontade de querer que dê certo. É por isso que aceito seus movimentos, suas cartas... Ao fazer tuas vontades, alimento também os meus desejos. Não estou infeliz nem um pouco, não houve tempo para infelicidade ainda.
E é com esse frescor da novidade que eu posso dizer que não estou trabalhando com parâmetros anteriores. Para mim, tudo em você é novo ou ganhou um novo frescor: andar de moto, fazer mais exercícios, falar tudo, contar coisas que antes eu achava impensáveis. Com você, amor, eu quero fazer muitos planos, tornar a realidade fantástica e minhas fantasias em realidade, e “sem rótulos”.
E essa é a letra de Balada Pra João e Joana (Samuel Rosa e Chico Amaral), cujos versos eu acho que tem um pouco a ver com nossa trajetória até agora:
Então os dois se acharam na escuridão
Ela com os pes no chão e ele não
Seu destino cego a lhes conduzir
Sua sorte à solta a lhes indicar um caminho
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se encontraram ali
Djô Djô, o mundo está tão mau lá fora
Djô Djô, onde irão vocês agora?
Então eles se deram na convicção
Feitos um pro outro, mas por exclusão
Seu destino cego a lhes conduzir
Sua sorte à solta a lhes indicar um caminho
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se encontraram ali
Djô Djô, cai um temporal lá fora
Djô Djô, onde irão vocês agora?
Eram os dois avessos aos normais
Ela com os pés no chão, e o chão se abriu
Um abismo
E dançavam lá em meio a tanta gente
Se perderam ali
Djô Djô, nada pára, nada espera
Djô Djô, que o destino assim quisera
E tudo aconteceu
Quando as mãos se tocaram
Quando os olhos nem viram
Quando a noite chegou
E tudo estremeceu
As paredes do tempo
Os telhados do mundo
As cidades do céu
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