Thursday, May 03, 2007

Continuando a matar a auto-negligência

“Sua coluna é um caso sério, como é que você nunca fez nada por ela até hoje?”.

“Provavelmente, mais pra frente, se você não fizer nada, você vai ter que operar essa coluna”.

“Teu alongamento é zero”.

“Você tem uma vértebra mal desenvolvida, o que é comum em casos de artrose”.

“Essa dor no seu quadril é bursite ou tendinite e a outra, irradiada, ciático. Sua bacia é pequena para o tamanho do seu corpo e aí os músculos da região ficam mais alongados que o normal (será essa a origem do meu rebolado à la Windsor?)”.

“Sua perna direita é levemente maior que a esquerda”.

“Vale a pena você investir em você, faz umas sessões de RPG”.

“A impressão que dá é que você resolveu cuidar de você de uns tempos para cá”.

Todas as frases são verdadeiras e o pior é que eu já sabia tudo isso (menos o lance da bacia e da perna menor que a outra). E, apesar dos pesares, estou orgulhoso das última frase do médico. Queria ou não, no último ano e meio, desde a cirurgia, eu tenho cuidado melhor de mim.

Mas foi um choque, mesmo assim, ouvir todo esse rosário do ortopedista. Pra mim, elas (as frases) são a prova capital que palavras bem colocadas têm um poder enorme sobre o ser humano. Se o meu médico fosse um bundão, provavelmente o que ele disse entraria por um lado e sairia por outro, mas este dr. Angeli, tão contundente quanto o cartunista, deu o tiro de misericórdia na minha preguiça e na minha resignação. Chegou a hora de cuidar de mim, obrigado. Vou fazer RPG em breve. É só sair aquela bufunfa.

Esse foi o começo do meu dia, nada alvissareiro, exceto por uma passagem, sem querer, ao errar o caminho do consultório, pela magnífica fachada da igreja de Nossa Senhora do Carmo (nenhuma carolice aqui, só admiração), a das irmãs carmelitas, coisa linda, linda de morrer. Um amarelo pálido em meio a um céu azul promissor de ontem de manhã.

O dia seguiu, sobrevivi, fui tocando, outras coisas saíram, pessoas novas vieram conversar (tô falando de você, futura ex-loira...) e Isabella me deu duas provas de sua fibra, da altura de seus cinco anos (quase seis, quase seis). Ela se comportou super bem no teste do aparelho móvel e aceitou resignada (explico mais pra frente porque isso é bom) que o aniversário dela não vai ser no McDonalds.

Não há nenhum anticapitalismo aqui. Minha luta por uma comida mais natural e saudável (que não é só minha, amém), me faz levar a Isabella raramente ao Mc, e por isso concordei que ela poderia ter uma festa de aniversário lá, porque festa é exceção, como era a Coca-Cola lá em casa, “nos idos de 63”, mas o Mc de Maringá parou de oferecer o serviço e melou todo nosso esquema. Orientada por mim, a mãe dela deu outras sugestões e falou a real para a Isabella, que entendeu (um sinal de maturidade). Ela terá uma festa alternativa e com a presença deste escriba em pessoa.

Saturday, April 28, 2007

Chegou a hora do acerto de contas

Com a renda carcomida por pilhas de dívidas chegou a hora de encarar o acerto de contas. Faltam apenas alguns dias para, enfim, saber novamente como é respirar. Isto acontecerá um dia depois do meu aniversário, será meu presente para mim mesmo. O mergulho nas mais diversas sensações dionísicas foi intenso, mas agora não dá mais. Nos próximos 15 dias, sai o prazer fútil em busca do desconhecido, entra o encontro terrível comigo mesmo_ o que nem sempre é prazeroso.


O choque final aconteceu dia 25. Minha filha foi ao dentista e ela precisa de um aparelho. E eu não tenho um centavo para ajudar neste momento. Isso me jogou no chão com violência, como o tombo daquele outro dia. Fiquei mal, me sentindo um merda... Peguei meu cartão de crédito e o parti em dois. Pô, se me chamam para uma balada eu vou, por que posso pagar no cartão. Se minha filha precisa de dinheiro vivo para o aparelho eu não tenho.


Que vida é essa na qual usufruo de crédito, mesmo sem ter dinheiro vivo? É uma espiral sem fim, da qual começarei a me livrar mês que vem, quando, finalmente, terei direito a um dinheiro que é meu, mas que o Estado precisa emprestado para financiar casas. Coisas do Estado. Foi ruim para mim, mas é justo que o sistema seja assim. De alguma forma, esse país de endividados tem que tentar poupar.


Tenho condições de buscar prazer de outras formas e vou encontrá-lo, sem gastar um centavo. Há uma pilha de livros e CDs na minha sala que sempre quis ler e escutar e agora chegou a hora, até porque “la piazza e mia!!!!!!!!”. Tem Talese, Gaspari, Paulo Cesar Araújo, mais Safran Foer, Hornby, tem Los Hermanos, Nara Leão, Erasmo, rock inglês que eu não ouvi, um monte de filmes que não assisti... E se o frio deixar tem a bicicleta também. Fred está viajando, Marcos sumiu e eu vou ficar aqui sozinho este feriado, acertando as contas comigo mesmo. Alguém quer vir?

Wednesday, April 18, 2007

Do que somos feitos?

No último dia 4 havia chegado a hora de pegar o ônibus de novo. Após dez horas de estrada e um descanso fuleiro no sempre confortável Íbis Maringá havia chegado a hora da surpresa. Encontrei minha filha na entrada da escola, como todo pai deve ter o direito de encontrar e ela me recebeu com um sorriso banguela enorme.

Como todo pai deve, conheci cada centímetro daquele lugar apresentado pela minha própria filha, com suas palavras, de incontida satisfação e com toda a espontaneidade. Como todo pai deve, conheci a professora da minha filha. Isabella adora o lugar, eu também.

Dali em diante, passamos quatro dias juntos, como sempre gostamos de passar: passeando em parques, indo ao cinema, jantando e almoçando em restaurantes, brincando (sua nova mania é jogar forca), desenhando, ouvindo e escutando muitos “eu te amo”.

A vida não precisa ser perfeita. Talvez ela ainda estivesse em São Paulo e o tempo que passaríamos juntos poderia não ser de qualidade. A vida precisa ser como é, mas nós temos que transformar cada momento em algo importante, como nas pedaladas na Bela Vista ao som de Modern Times, do Dylan, no MP3, olhando as antiguidades da feirinha do Bixiga. Ou seja, precisamos nos adaptar e fazer as coisas se encaixarem.

Entretanto, há momentos em que não resistimos e nos quais descobrimos do que somos feitos, e choramos, mesmo em meio a toda a alegria.

Fomos assistir juntos à “Família do Futuro”, da Disney. Não sabia que seria tão emocionante. Garoto órfão e muito CDF resolve inventar uma máquina para voltar no tempo para conhecer a mãe biológica que o havia abandonado na porta do orfanato. Futuro e passado se encontram numa trama simples e inocente, mas cativante.

Descobrimos que somos feitos dos mesmos tecidos, com algumas diferenças, claro, mas descobrimos. Rapidamente, a história do garoto sem pai, nem mãe, que é acolhido no futuro por uma bela família, nos soava retumbantemente nossa e começamos a chorar, quase ao mesmo tempo, como choro agora, escrevendo e ouvindo um velho disco. Éramos nós na tela, mas estávamos ali de novo, abraçados, no escuro do cinema, como nós sempre fizemos e sempre faremos.

Os amigos têm vindo

Após uma noite de sexta-feira de muito álcool, risadas, conversas profundas com uma pessoa linda e intrigante que nasceu no mesmo dia que eu, dança delirante ao som de Beatles e Stones e gostosos beijos roubados e perdidos, veio o sábado.

Não sei quantas latas de cerveja, doze garrafas de Original, várias Paulaners, e uns petiscos. Seria esta a receita de uma tarde perfeita de sábado? Não sei, só sei que alguns de nossos amigos queridos vieram e se divertiram. Contei a história da minha medalha ganha numa regata como contrapeso e todos riram.

Ah, se eles soubessem dos mistérios do mar... O garoto da praia sou eu também. Posso não levar jeito, mas o mar e a praia estão no meu DNA e a minha medalha também, que é minha e tão merecida como as pintas espalhadas pelo meu corpo. Mas todos rimos da minha história, inclusive eu, pois realmente não deixa de ser curioso eu ter ganho uma medalha esportiva justo quando estava gordo. Na época, em 2005, eu pesava 95kg. Agora, 82kg.

Depois de uma noite perdida de sábado, perdida mesmo... veio o domingo, o Massa, o frango na brasa, o sono atrasado, o trem para Itaquera, o trampo, feliz, com o amigo, ao som do vizinho dele cantando as canções que o Rei fez para mim, pra vocês, pra todos nós. Então chegou o grande amigo Mauro, trazendo o sotaque de Santos que eu não tenho mais e a esperança de um novo trampo.

E enfim, Mauro e Marcos Sergio se conheceram e todos nós conhecemos, sem querer, o Amigo Sushi, um restaurante que vale a pena conhecer. A única coisa que eu tenho a dizer é: vão lá. Avenida da Liberdade, 607, todos os dias aberto para o jantar até as 3h, exceto terça-feira. Tem o melhor sashimi que eu já comi na vida e é barato.

E pelo MSN, um último registro. Finalmente conversamos tudo que precisávamos, eu e a garota da praia. E foi muito bom. Ela está feliz agora, eu estou tentando. E seremos amigos.

Os dois últimos posts foram escritos ao som do belíssimo “Into The Great Wide Open”, de Tom Petty and Heartbreakers, em breve no resenhas.

Sunday, April 01, 2007

Velhos discos, novas sensações

Aos poucos o apê é cada vez mais um lar. O time agora está completo. MS chegou, foi recebido com farofa e galinha e trouxe a vitrolinha na qual tenho ouvido meus velhos vinis (o auge se deu na manhã de domingo, com o Sticky Fingers, dos Stones, estourando os tímpanos).


Ao mesmo tempo em que revirava minha adolescência, o novo se fez presente. No sábado, almoço no chinês da Umberto I com as novas amigas da Aclimação e o círculo vai se aumentando. Elas conhecem pessoas que eu conheço e amo em Bauru, velhos amigos, novas conexões. As conversas vão nos aproximando, gostam de lugares que eu gosto. Tudo prova que somos todos da mesma tribo humana.


À noite, a nova velha amiga Sha me apresentou, enfim, o idch. Lugar lindo, quadros lindos, bebidas deliciosas, som black amador, oscilante, com bons e maus momentos, mas valeu a pena. Volto para casa de madrugada, à pé. Tudo continua tão perto... Os amigos estavam acordados> Demorei a dormir, ansioso pelo dia seguinte, pois veria minha irmã após três meses.


Acordei cedo, comprei frutas e fui andar de bike e consegui subir a Brigadeiro parando apenas duas vezes, num semáforo e para tomar uma água. O sol estava escaldante e eu estava orgulhoso e feliz. Mana chegou com o simpático Andrés e fomos ao Halim, um restaurante/lanchonete árabe excelente, no Paraíso, na rua Rafael de Barros. Se você for, peça uma picanha de carneiro por mim e um uzzi_ que é uma comida quase inexplicável de tão boa. Outro hit é a esfiha fechada de ricota, um espetáculo.


De lá, fomos ao Centro Cultural, na Vergueiro, tudo a pé. Pela primeira vez na vida, veria um show de Zé Geraldo, de quem só conhecia uma ou duas músicas, no máximo, mas era um compromisso com os amigos de Santos. Que felicidade dá ver um cara tão feliz quanto ele no palco. Músicas novas com muito a dizer, como “Porra, Mano!” e velhos clássicos como “Senhorita”.


Mais uma vez o velho e o novo. Músicas antigas de um artista renovado, velhas amizades rejuvenescidas, algumas delas já com 23 anos, como o Fábio, que foi meu colega na 3a série do fundamental!!! Depois mostrei, orgulhoso, a casa nova para os amigos, e daqui descemos até a Lazzarella, no Bixiga, novidade para eles, um clássico para mim.

Monday, March 26, 2007

Censurar todos se atrevem

“Negue que me pertenceu

Que eu mostro a boca molhada

Ainda marcada pelo beijo seu...”


  • - Base chamando Supervisão. QRU na escadaria. Copia? Uma mulher, do sexo feminino, de cor parda, está subindo do Piso Paulista para o piso superior, cantando. Copia?

  • - Tá fazendo o quê?

  • - Cantando, chefe, cantando.

  • - Continue monitorando pelas câmeras. Vou consultar o regulamento. Aguarde por novas instruções.


Cinco minutos depois...

  • - Tem nada não, colega. Nada consta no regulamento. A mulher pode cantar à vontade, compreendido? Você já pediu o vale este mês? O último dia é hoje. Quanto você vai querer?

  • - Uns 600 paus, beleza?

  • - Beleza, amigão.

Imaginei esse diálogo hoje à noite quando voltava para casa. Uma mulher cantava lindamente enquanto subia uma escada do Top Center.

Cada vez mais acho que qualquer ato ou comportamento mais transgressor ou fora do padrão, por menor que seja, como a da mulher que cantava, é visto com temor pelos seguranças da vida _e olha que nem todos eles ganham merreca, vestem preto, azul marinho ou cinza e são PMs fazendo bico. Assim como nem toda censura termina quando aquele que puxou o assunto é interrompido por um tema mais interessante, como os 600 paus aí de cima.


Tenho tido bastante tempo para pensar na forma como me relaciono com as pessoas, ou melhor, como me relacionava no passado e como me relaciono hoje, e a conclusão a que chego é que sempre é melhor para mim quando eu estou apaixonado. Qual o problema de se apaixonar? Sou feliz me apaixonando. Eu adoro me apaixonar.


A onda pode ser bem curta, como o barulho que faz o seixo arremessado num certo ângulo contra um lago. Pode ser também uma onda loucurinha um pouco mais longa, como uma pedra jogada num balde de metal, em que primeiro vem o “glup” e depois o “tóin”. Ou pode ser uma viagem maravilhosa, dividida em várias fases , com direito a flashbacks, ausências por períodos indeterminados, etc.


Tenho sido censurado nos últimos dias por “pensar com o pau”, como disse uma ex-amiga e por “não me valorizar” ou até por ter sido menos homem do que o normal, como preferem uma ex-namorada e uma amiga. São bons conselhos, prometo pensar neles, mas não mais do que o tanto que penso cada vez que minha irmã pede para que eu vá ao centro espírita, mas, putaquipariu, qual o problema em me apaixonar?


Sabe. Não quero daqui 40 anos ser um septuagenário amargurado como meu ex-barbeiro. Uma desilusão amorosa na vida e as mulheres, para ele, viraram uma caricatura abominável e, como saldo, restou uma equação em que a casa dele é a barbearia e os amigos, os clientes. E não falo em sentido figurado.


Também não quero trocar o dia pela noite, como o gente finíssima do sapateiro da Joaquim Eugênio, que fez furos novos nos meus cintos de graça, pois “nunca cobrou por esse tipo de serviço”. E muito menos quero repetir esquemas a vida toda, como meu pai. Ele mora sozinho há quase dez anos, mas tem duas geladeiras e as enche como se todos nós ainda estivéssemos lá em casa.

Caramba, será que não tem uma mulher no mundo que goste de se apaixonar e curtir esse prazer com outra pessoa e ser feliz? Ou eu vou ter que virar outra pessoa?


EU GOSTO DE QUEM EU SOU. E GOSTO DE ME APAIXONAR, AINDA QUE SEJA TODA SEMANA.



Sunday, March 25, 2007

Let´s Get It On?

A conversa no MSN estava animada no final do expediente. Conversa vai, conversa vem, T. me chama para encontrá-la na Choperia Liberdade, onde estaria celebrando a despedida de uma amiga. Estaria com amigos logo mais, mas pensei, “eu levo eles lá, oras”. A havia conhecido através de uma amiga e gostei de cara. Além de linda, gosta de comédias, black music, tem um humor ótimo e uma risada deliciosa.


Na conversa prévia fiz questão de pedir para dançar com ela. E realizar isso foi um sonho. Japa Wonder, um personagem incrível que freqüenta a choperia e tem uma voz negra incrível, cantou “Let´s Get it On”, de Marvin Gaye. Tirei T. para dançar. Não havia muito o que dizer na hora, apenas demonstrar, ao sentir aquele corpo e aquele perfume (ótimo) de pertinho.


Como é bom! Todos os seres humanos deveriam ter o direito básico de dançar agarradinho com alguém tão bonito _deveria haver um artigo na Declaração Universal dos Direitos do Homem: “todo homem tem direito a dançar com uma mulher linda uma vez por ano”. Mas com você, T., eu achei muito especial e eu gostaria de sentir isso mais vezes. Quero dançar de novo com você.
A coletânea com Barry White tá aqui esperando...


Concebido enquanto ouvia a coletânea Black Files Volume 1, que tem “Never Gonna Give Ya Up”, do Barry White, a música preferida da T. na última sexta-feira. Concluído ao som de “Last Goodbye”, a minha preferida de Jeff Buckley.

Thursday, March 22, 2007

A vida é feita de sonho e fúria

Eu sei, eu sei. Não é essa a frase, mas é isso mesmo. É uma parafrase. Parto de uma idéia anterior e a adapto, para compreender um momento meu. Com o acaso do jogo de palavras, encontro inspiração para me entender. E é isso: pra mim, a vida anteontem ou "trásanteontem" foi feita de sonho e fúria.


O fim do sonho e o início da fúria aconteceram no mesmo momento, logo depois da febre que me acometeu após a queda cinematográfica deste humilde escriba na rua da Consolação. Era como se não houvesse consolo para mim ou se o consolo fosse o chão.


Aquele tombo, finalmente, fez que eu voltasse a mim. O sonho acabou. E eu não precisei da Yoko!!! Foi quase um ano de sonho, mais uma paixão problemática, mais uma vez a coisa andava de um lado só, tudo eu, tudo eu. Eu investindo, eu querendo, eu ligando, eu (quase) nunca sendo atendido, ou sempre com o clássico “não posso falar com você agora”. Para mim, ela não tinha tempo e eu sempre tive tempo para ela: almoço de duas horas para dar conselhos, ler textos, dar pitacos profissionais, etc.


No Carnaval, depois do que ela fez, qualquer ser humano normal teria sentido a ficha cair. Foram quatro dias à espera dela, ligando que nem louco para saber onde ela estava. Quando conseguimos falar, já depois do Carnaval, disse que havia ligado muito para ela, pois “sou muito ansioso e queria saber onde ela estava para...”. “Ansiedade você trata com terapia. Não tenho nada a ver com isso...”. Vai tomar no cu, pensei, se ela não tem nada a ver com a minha ansiedade, com o desejo que tinha por ela, ela não tem nada a ver comigo. Mas não disse nada. Calei.


Calei e ainda fui atrás! Onde eu estava com a cabeça?! O créme de la créme foi no aniversário dela, no qual ela me tratou com o desdém habitual que, finalmente, eu enxerguei. Mas nesse mesmo dia eu vi uma pessoa bacana e ela soube que me interessei e ficou puta comigo. Marcar território que não é seu, como um Soláno López em busca do Mar? Nunca fui dela, nem na mais remota ocasião. Me mandou um e-mail despeitado, teve resposta a altura e agora venho aqui devidamente exumá-la.

Mas me dêem licença, agora só faltam 14 dias para eu estar com minha filha. Tchau, ex-paixão. Já vai tarde!


Lendo Safran Foer, ouvindo Paralamas, Jorge Ben e Beethoven...

Tuesday, March 20, 2007

Wireless news

"Senhoras e senhores, trago boasssss novassss/Eu viiii a cara da morrrte e ela estava viva"(Cazuza)

Agradeço ao ar todos os dias por nos trazer o sinal de internet wireless de cada dia que me permitirá blogar com mais assiduidade, agradeço também às empresas e pessoas físicas que não trancam seus sinais. Com cerca de 5,5 mbps eu consigo atualizar posts, responder scraps do orkut e e-mails. E já consegui postar no resenhas e agora estou postando aqui. Conexões lentas dão mais tempo para pensar.

Já estou instalado na casa nova, que está ótima. Pintaram o banheiro ontem e ela está um luxo só. Recebemos as primeiras visitas domingo, MS vem aí esta semana. Nem os 12 trabalhos de hércules de cada dia vão me incomodar, nem as festas estranhas e os encontros casuais de concorrentes, nem tombos sensacionais na rua da Consolação. Nada vai me impedir. Agora eu quero a Páscoa e abraçar a minha filha!!!

Monday, March 12, 2007

Atualizando: uma semana depois

É gente, muita coisa se passou nessa semana. Em primeiro lugar, está tudo certo: vou me mudar para a Bela Vista no sábado. A Aclimação deixa saudades, vou visitar o bairro sempre, pois fiz novos amigos lá, mas a adaptação é necessária. Aprender a dividir, a compartilhar, deixar de ser maníaco... Além da economia que terei, acho que tudo virá a calhar. O lugar é muito perto do meu trabalho. São 20 minutos para ir (subida), uns 15 minutos para voltar (descida).

Sai da paisagem o Ipê Roxo e os pardais, entram a vista de uma piscina recheada de beldades e as torres da Catedral da Sé. O Ibirapuera ficou um pouco mais longe, mas outro dos meus all-time favorites, o centro de São Paulo, ficou mais perto ainda. Sai o banheiro velho, entra um novinho em folha, com box e ducha. Saem os fantasmas e a síndica mala, entram o Fred e o Marcos Sergio.

Bem, como vocês sabem, eu sou um pouquinho ansioso e já não estou conseguindo dormir direito. A mudança já está contratada para sábado, mas a preocupação com o maldito e inútil encaixotamento das coisas me irrita, fora a tensão de ter que tentar vender umas coisas antes de mudar (tenho dois armários de cozinha, uma escrivaninha e um capacete para vender. Alguém se habilita?). Sempre acho que posso perder algo. Mas essa hora de revisão é muito boa. Hora de dispensar um monte de coisa inútil.

Bem, agora é só rezar para o sofá caber no elevador.

Mas de volta ao mundo terreno, o Flamengo foi campeão. Derrubou o Madureira por 4 x 1, jogando como um time grande deve jogar.

Outra coisa, a gente vai estar sem sinal de TV no sábado. Alguém se habilitaria a deixar zoydinho assistir ao GP da Austrália de F-1, abertura de uma temporada de F-1 que promete ser a melhor de todos os tempos???

Monday, March 05, 2007

Há novidades...

Estou menos triste.

Minha filha é oficialmente uma banguela. Ela perdeu o primeiro dentinho de leite. Reza a lenda que o primeiro dente a cair, foi a primeiro que nasceu.

Conheci gente nova na balada. Detalhe, é da vizinhança. E é um amorzinho.

Achamos "o" apê.

Estive essa semana com amigos queridos, convivi com eles, conversei com eles. Terça, quinta e sexta foram dias de muito trabalho, mas simplesmente perfeitos graças a vocês.

Continuo tomando foras, mas eles doem menos agora.

Uma pessoa do passado recente, que está longe, deixou mensagens carinhosas e de conforto, mas a lembrança que eu tenho dessa pessoa ainda é majoritariamente triste. Adoro conversar com ela, mas adorava muito mais todo o resto. Foi uma época muito especial.

Dei um soco no capô de um Corolla que quase me atropelou na calçada outro dia. Confesso que se eu tivesse um martelo ou um coturno teria obtido uma realização pessoal.

Tem U2 no blog de música.

Mas o Flamengo tinha que perder para o Madureira? Fuck!

Tuesday, February 20, 2007

Felicidade: onde está?

“A felicidade não deve ser confundida com necessidade nem com prazer. O prazer nasce e acaba. Felicidade é um prazer que nem nasceu nem acabará. É o estado da verdade dentro de nós. É o que você é agora. Não está ligada ao desejo, nem ao tempo. É o prazer eterno. Não tem opostos. É o real em nós. É nossa essência.” Professor Hermógenes

Minha crise física, econômica e emocional atual têm me levado a pensar bastante. Mais do que nunca, mais do que em toda minha adolescência, mais do que na minha infância quase toda infeliz, nunca pensei tanto. Decidi, em meio ao choque causado pelo tédio, raiva e desilusão (leiam os posts: "Fui gongado e comprei uma bike" e outros anteriores), bem no meio das minhas férias, a iniciar o que eu chamo de “terapia de choque”.

Tenho buscado conforto na busca por saúde, andando de bike sempre que posso e observando o mais rigorosamente possível minha dieta. A solidão eu tenho procurado substituir socializando ao máximo, ligado para os amigos e amigas, procurando estar presente, tentando conhecer gente nova sem me forçar. A paz eu tenho buscado nos livros, revistas e filmes.

Uma leitura e um filme tocaram de forma diferente em um assunto difícil de lidar e sobre o qual é muito difícil encontrar as palavras certas: felicidade. Na última revista Trip, cujo tema é “O Corpo”_ um dos 12 pontos que a revista elenca como fundamentais para que encontremos a felicidade e sobre os quais a publicação tem se debruçado há um ano e meio, num respeito inexorável a suas próprias metas e ao leitor jamais vistos no mercado editorial brasileiro_ me deparei com um personagem impressionante, Hermógenes, potiguar, 85 anos, ex-militar, difusor da ioga no Brasil, autor da frase acima.

Com um simples clique, um simples toque, vou incluir mais um ponto na minha terapia alternativa: independentemente da minha busca pelos amigos, na minha fé no ser humano, na minha busca pelo encontro, pelo amor, não vou mais buscar a felicidade nos outros. Tenho que encontrá-la em mim.

Não posso mais depender que a presença de alguém se torne essencial para que eu possa sorrir. Não posso mais ficar angustiado à espera do telefonema prometido. Se eu estiver angustiado, eu vou ligar. Se eu tiver que ir do ponto A até o ponto B e estiver chovendo canivetes. Vou caminhar entre o ponto A e B. Acabou. O que tiver de ser feito, será feito. Vou atender somente aos meus dois principais patrões, muitas vezes incoerentes: meu coração e meu cérebro.

O filme que me tocou foi “Pergunte ao Pó”, baseado no livro homônimo de John Fante (vou ler, na tradução do Leminski, eu prometo!!). Num determinado momento, quando está todo fodido, Bandini, o herói, procura por Vera Rifkin, uma moça que sofreu uma queimadura grave e foi abandonada pelo marido. Em certo momento, eles tem uma discussão rápida e ela pergunta o que ele estava fazendo ali, de fato. E ele dispara: “Tudo que eu queria hoje é fazer alguém feliz”.

Inúmeras vezes em minha vida senti a mesma coisa. Muitas vezes quando a gente está um lixo, o sorriso do outro é suficiente para que fiquemos autenticamente felizes. Às vezes, basta só uma palavra. Outras vezes, são necessárias mais palavras, outras vezes mais ações. Uma coisa que me faria feliz seria ver minha filha agora, mas não é possível. Outro dia ela me pediu que eu começasse a guardar os troquinhos do pão e fosse juntando para que pudesse vê-la no Carnaval.

Infelizmente, não é esse o caso. Os 700 km entre e São Paulo e Maringá estão cada vez mais longos, maiores, espessados, envoltos em névoa. Não posso ir, é razoavelmente impossível. Mas eu vou no próximo feriado, terei cinco dias para ficar com ela. Na verdade, não poderia e não deveria ir também no próximo feriado, mas preciso ir. Tenho que ir, afinal ela já tem o ingresso do Ody Park. Quero ir pelo menos uma vez em cada semestre, além das férias de julho e dezembro. Gostaria muito que a mãe dela pudesse trazê-la de vez em quando, mas não vou morrer esperando por isso.

Hoje liguei para ela. Nossa conversa se resumiu a três frases. Ela disse que estava me esperando e que estava com o ingresso do parque aquático. Não deu nem tempo de perguntar como ela estava. Ela estava vendo um desenho inédito e não queria perder. Quem sou eu para interromper? Nesse caso, o telefone não vai resolver. Tenho que estar presente, mesmo que eu sofra bastante financeiramente. É a troca de um ou vários prazeres por outro muito maior. Mas é a felicidade? Talvez. Ainda não sei. Só sei que ela não estava feliz hoje e eu também não.

Sunday, February 11, 2007

Nada substitui o acaso e o telefone


Indo para Santos encontro na rodoviária do Jabaquara a querida amiga Fabiana. Após quinze anos de amizade, somos os mesmos e somos muito diferentes também. Os pontos de vista convergentes em alguns assuntos, divergentes em outros. Uma certa aversão ao calor e uma paixão pelo álcool (desculpe, Fabi, mas nisso você me supera) em comum. O que muda, é que hoje somos um pouquinho mais maduros. Balzacos? Trintões.

Outra coisa que não mudou é nosso amor pelo rrrrróque, é claro que com pitadas de outras cositas ao longo dos anos. No caminho, fico sabendo que tem PopScene, a festa da Flávia, no Retrô. Diversão garantida ou um pouco menos de dinheiro em sua conta bancária. Tonhão (hoje Toni) e o Psico (hoje Titio Marco Antonio) viriam, acompanhados de seus respectivos companheiros. Já éramos a essa altura, quatro, mais o nosso amigo em comum, o Ed Gardenal.

Até que me ilumino e ligo para o Goya, de sopetão, e ele topou aparecer. Éramos cinco. Toni chamou as Adrianas e elas apareceram. E, assim, sete ex-colegas de jornalismo da Facos (1992-1995) se encontram no centro velho de Santos. Muitos abraços e poses para fotos depois, dá tempo de saber as novidades uns dos outros e ver, que apesar dos pesares, estamos todos bem. Até as boas tiradas voltam. Vai dizer que aquela de que: "um dos maiores clichês de banda cover é uma gorda nos backing vocals" já não valeu a noite?

Juntos, cinco de nós fomos ao Retrô curtir o bailinho pré-momesco que a Flávia (nossa caloura na faculdade) armou, com direito a "Top Top", com os Mutantes, e "Minha Menina", com o Belle and Sebastian. Quando tocou "Quando", com o Rei, deu vontade de puxar o trenzinho... Muito punk-rock, indie rock, teen lesbians se pegando, e muita diversão. Foi lindo!

E foi assim, através da comunidade da nossa turma da faculdade, no Orkut, não conseguimos organizar nada, mas uma coincidência e alguns telefonemas depois, uma parte de nós estava lá.

Wednesday, February 07, 2007

Blog paralelo

Amigos, acabo de criar um novo blog. Chama-se "Resenhas que você não vê no jornal", o endereço é http://resenhassemjornal.blogspot.com/ e só fala de música. O "Crônicas..." vai continuar funcionando normalmente.

No novo blog só falarei de música. Mais especificamente, farei um trabalho doido de resenhar todos os CDs e DVDs de música que eu tenho. É uma loucura, eu sei, mas faz tempo que eu queria fazer.

Abro o blog com o clássico de Bob Dylan, "Highway 61 Revisited", de 1965. Aguardo comentários civilizados e (muitos) xingamentos.

Minha primeira vitória

Ah, o futebol. Não bastasse estar lendo "Febre de Bola" ("Fever Pitch"), de Nick Hornby, o mesmo de "Alta Fidelidade" e "Um Grande Garoto", me deu uma loucura sábado de assistir um jogo em estádio. Almoçava com o meu amigo Marcos quando tivemos a idéia meio que ao mesmo tempo. "Vamos ver o Juventus na rua Javari?". E lá fomos nós, sempre quis ir lá.

O jogo era contra a gloriosa Ponte Preta, time de um amigo meu de faculdade, que era meu companheiro de incompreensão naquela época. Ninguém nunca entendeu porque eu torço para o Flamengo, bem como ninguém entendia porque o Goya, japonês, nascido em Santos, torcia para a Ponte Preta, time de Campinas. O Goya é o único torcedor da Ponte que eu conheço. E é do Juventus a única camisa de time de futebol que eu tenho. O Flamengo que me perdoe.

O jogo é o maior match disputado na Javari. A Ponte é o time com maior torcida que a Federação Paulista de Futebol deixa jogar lá. O estádio lotou, menos o setor dedicado à torcida da Ponte, que tinha, juro, de 30 a 40 pessoas no máximo.

Acanhado, simplezinho, mas honesto, o estádio da rua Javari oferece visão total do campo de todos os ângulos. Localizado no coração do hoje classe média bairro da Mooca, atrai os moradores do bairro e curiosos para jogos, no mínimo, diferentes.

Depois da fila quilométrica para comprar o ingresso (R$ 10, estudante), provei o tal do canole. O doce é maravilhoso. Uma massa folhada, doce para caramba, com recheio amarelo de sonho. Supimpa. Começamos a assistir o jogo na arquibancada atrás do Gol onde o Juventus atacava, mas o sol estava alucinante, de rachar a testa e fundir a cuca. Nem os xingamentos da torcida Juventina ao goleiro Aranha, da Ponte, eram suficientes para aguentr o jogo ali.

Mudamos para a arquibancada atrás do gol da Ponte e lá tinha uma sombra e a uma torcida bacana da Juve que nunca xinga o time (o que é comum em jogo de times de torcida maior), só apóia.

O primeiro tempo foi medonho. Nenhum dos times tinha objetividade e tocavam para o lado o tempo inteiro. Numa jogada bacana, cheia de dribles, Leo Mineiro cruzou toda a grande área, sem chutar a gol, aquilo me irritava. E assim foi até os 20 minutos do primeiro tempo, quando Leo Mineiro, esse é o nome dele, recebeu uma bola cruzada na área, limpa o zagueiro e chuta no canto esquerdo superior de Aranha. O Juventus jogava bem melhor, especialmente o reserva da camisa 16, que entrou correndo muito, fazendo jogadas e dribles ótimos e deu uma sacudida no time. Fico devendo o nome do sujeito.

A Ponte depois teve um penalti a seu favor. Finazzi converteu a primeira cobrança, mas o juiz marcou invasão. O centroavante bateu novamente, dessa vez na trave, e rebateu a cobrança, o que soube que é proibido. E esse foi o resultado do jogo até o fim. Um a zero para a Juve e assim acabou o primeiro jogo de futebol que eu assisti que não terminou em empate.

Pela primeira vez me senti vencedor num estádio de esporte coletivo, é uma sensação única, de catarse, mesmo quando não é seu time de coração. E já decidi, ainda este ano, verei o Flamengo no estádio (em SP ou no Rio) e vou ser pé quente de novo.

Tudo bem que eu não vi o Flamengo, mas já agi como Flamenguista no estádio. Em 2000, quando o São Caetano montou aquele time surpreendente que foi vice da João Havelange, me encantei com o futebol daquele bando de renegados (César, Ademir, Claudecir, Silvio Luís e outros feras) e fui secar o Vasco na primeira partida da final, disputada no Parque Antarctica. A torcida foi ótima e o jogo, muito melhor que Juventus e Ponte, mas acabou em 1 a 1. E essa é minha experiência no futebol até hoje, espero ter outras.

Thursday, February 01, 2007

Não se preocupem mais

Queridas amigas,

Não se preocupem mais com a endoscopia. Mamãe, aquela que passou açúcar em mim, estará lá comigo na segunda-feira.

Obrigado!

Tuesday, January 30, 2007

Acompanhante para endoscopia, procura-se

Amigas, estou avaliando o currículo de candidatas a me acompanhar numa endoscopia que vou realizar nos próximos dias. À candidata não é necessário uma garganta profunda... Deixa essa parte comigo.

Para vocês terem uma idéia da gravidade do problema, segue a minha dieta para os próximos 20 dias.

Dieta Gastro e Colesterol * 21 dias

O que pode comer:

Arroz
Caldo de feijão
Purê de batata
Batata
Chuchu
Abobrinha
Cenoura
Beterraba
Folhas cruas ou cozidas apenas com sal
Carne magra * tudo sem gordura e sem pele
Ovo pochê ou cozido (raramente)
Queijo branco
Requeijão light
Gelatina
Mamão
Pera (eu odeio pera!!!)
Melão (detesto melão!)
Maçã
Torradas
Bolacha de água e sal (biscoito água, please...)
Chás cidreira e hortelã (o médico liberou boldo e erva-doce, mas tô fora!)
Bebidas só com adoçante (ok, já fazia isto)

O que não pode -
álcool
chá preto ou mate
doces
açúcar
pães
refrigerantes
frituras
queijos amarelos

Refeições principais: 8h, 14h e 20h
Maalox: 11h, 17h e 23h
Nos intervalos entre as refeições e o maalox: 2 bolachas ou meia pera
ou meia maçã

Não pode passar mais do que uma hora e meia sem beliscar alguma coisa

Querida Garota da Praia

Concordo totalmente com seus argumentos. Mudei o texto a seus pedidos. Seu nome não está mais no texto, mas você continua na minha cabeça, querida. Você tem razão, a web é insegura, mas os seres humanos mais inseguros ainda.

Espero que isto seja o suficiente para que possamos ter um relacionamento bacana daqui para a frente, bom como naquele fim de tarde.

Paz!

Monday, January 29, 2007

Perfume fedido

Aqueles que confiam em mim (rarará) não percam seu tempo assistindo ao fedorento “Perfume – A História de Um Assassino”, de Tom Tykwer (“a produção alemã mais cara de todos os tempos”, como disse um amigo meu), baseado no best-seller “O Perfume”, de Patrick Süskind.

O filme é muito bom até matarem o Dustin Hoffman (aliás, ele e o Alan Rickman salvam o filme da indigência), depois é uma sucessão de idiotices. A cena do cadafalso é a cena mais ridícula e mal dirigida dos últimos tempos, com figurantes simplesmente fazendo cara de “ah, esse diretor é gênio, vamos fazer o que ele manda”. Qualquer filme da sessão “como era gostoso o meu cinema”, do Canal Brasil seria melhor.

Se eu fosse adolescente, diria que o filme valeria a pena pelos peitinhos da primeira ruivinha que o psicopata Jean-Baptiste tenta transformar em perfume, mas eu não sou mais adolescente (pelo menos é o que eu reafirmo para mim mesmo, diariamente).

Foi um final de semana banal, cheio de filmes ruins. No sábado, vi a pré-estréia de “A Grande Final”, que mostra as dificuldades de três tribos nômades (índios brasileiros, tuaregs e pastores mongóis) para assistir à final da Copa do Mundo.

A idéia é boa, mas o produto final é extremamente ineficiente e joga na tela assuntos seriíssimos, como o confronto entre brancos e índios na Amazônia, a corrupção na Mongólia pós-comunismo e a hierarquia patriarcal no deserto, de forma extremamente banal.

Outra banalidade é “Em Direção ao Sul”. Charlote Rampling (linda, como sempre, mesmo aos 60 anos e sem plásticas) passa seus verões no Haiti devorando garotinhos, até que chega Brenda (Karen Young, ótima) querendo brincar com o mesmo meninão da outra coroa.

Só que o meninão tem problemas na sua terra Natal, conturbada e corrupta como sempre em meio a mais um golpe militar nos anos 70 (apesar de numa cena passar um Corolla zero na tela) e advinha o que acontece com ele??? Bem, se fosse nos 80, ele morria de aids, como o filme passa nos 70, ele morre de tiros. As coroas ficam tristes e eu também, pelos R$ 7 jogados fora.

Pelo menos andei de bike esse finde e subi a Vergueiro montado... Quatro dias seguidos pedalando.

Wednesday, January 17, 2007

Um velho disco de vinil

Quantas boas lembranças podem conter os sulcos de um velho disco de vinil? Ainda mais quando o LP é dado de presente por um velho amigo_ um amigão de... 20 anos? Dezenove, para ser exato.

Esse é o Mauro, meu ex-colega de escola, de bandas e amigo para toda a vida. Pois eu sumo e ele é quem apareceu ontem com o presente, no caso o “Viva Hate”, primeiro disco solo do Morrissey, gravado em 1987, da idade da nossa amizade.

O melhor é que as reminiscências ficaram apenas nos sulcos do disco. No nosso encontro não falamos do passado, apenas do presente e do futuro. E deu para perceber que ainda há muita vida pela frente e que nenhuma sombra ou dúvida que paira sobre nós agora, nada disso tirará de nós a coragem infinita dos tempos de garoto, nas areias, nas quadras invadidas ou nos palcos da velha Santos, quase da idade do Brasil.

Pois os nossos olhos ainda têm viço e podem brilhar. Algumas cervejas e percebemos que estamos vivos e melhores que nunca. Não é, companheiro?

O tédio (sim, paulistanos, mineiros e todos aqueles que não tem mar na porta, é possível se entediar na praia) que está me acometendo às vezes aqui, tão bem diagnosticado por outra grande amiga pelo MSN, pode ser vencido facilmente. Basta pegar o telefone e ligar para os velhos amigos, tirar a carcaça de dentro de casa e exercitar a cabeça e o corpo, à pé, de bike, à nado...

Vocês não sabem, queridos, o quanto sou e feliz e grato por seus telefonemas, suas mensagens, os papos no MSN. Vocês fazem a vida me doer menos.

E também ontem um grande companheiro de roubadas e ganhadas me ligou para perguntar. “Meu, quando é que você volta? Você sabe que só você me entende depois de um final de semana em que tudo deu errado”. Esse meu amigo não sabe, mas acho que esse foi o melhor elogio que eu recebi nos últimos tempos.

Não falei para ele na hora, porque isso só me ocorreu agora, quando escrevia este texto. Nós temos que parar de pensar nossa semana em função do final de semana. O sábado e o domingo, amigos, podem ser extremamente frustrantes. A gente coloca muito expectativa sobre eles dois e eles são apenas dois dias, 48 horas...

Temos que buscar a iluminação todos os dias. Ver o arco-íris no chafariz bregão da praia, as matizes diferentes no céu a cada pôr-do-sol, que, mesmo visto inúmeras vezes de um mesmo ponto, nunca é igual.

Anteontem, na última vez que parei para vê-lo, o céu tinha laranja, verde-água, azul celeste, azul cobalto, azul marinho, púrpura, violeta, amarelo, branco, vermelho. Cada cor era como se cada um de vocês, amigos, que têm me confortado nesses dias de tédio e de preparação para este ano (que será duro) estivessem ali comigo.

Obrigado, Mauro. Obrigado, Carol. Obrigado, Dani. Obrigado, Lu. Obrigado, Fabi. Obrigado, Marcos. Obrigado, Patrícia. Eu amo todos vocês.

A seguir, reproduzo uma letra do Morrissey, que explica como é o tédio-litorâneo a la Tatcher. Depois da letra original, segue a tradução, que eu fiz.

Everyday Is Like Sunday

Trudging slowly over wet sand
Back to the bench where your clothes were stolen
This is the coastal town
That they forgot to close down
Armageddon - come armageddon!
Come, armageddon! come!

Everyday is like sunday
Everyday is silent and grey

Hide on the promenade
Etch a postcard :
How I dearly wish I was not here
In the seaside town
...that they forgot to bomb
Come, come, come - nuclear bomb

Everyday is like sunday
Everyday is silent and grey

Trudging back over pebbles and sand
And a strange dust lands on your hands
(and on your face...)
(on your face)

Everyday is like sunday
Win yourself a cheap tray
Share some greased tea with me
Everyday is silent and grey

Todos os dias são como domingo

Avançando lentamente sobre a areia molhada
De volta ao banco onde suas roupas foram roubadas
Essa é a cidade costeira
Que eles esqueceram de fechar
Armagedon, venha, Armagedon
Venha Armagedon, venha!

Todos os dias são como domingo
Todos os dias são silenciosos e cinzas

Escondido no passeio
Gravado num cartão postal:
Como desejo ardentemente que eu não estivesse aqui
Na cidade litorânea
...que eles esqueceram de bombardear
Venha, venha, venha – bomba nuclear

Todos os dias são como domingo
Todos os dias são silenciosos e cinzas

Voltando sobre o cascalho e a areia
E um estranho pó pousa em suas mãos
(e no seu rosto...)
(no seu rosto)

Todos os dias são como domingo
Ganhe uma bandeja barata
E divida um pouco de chá melado comigo
Todos os dias são sileciosos e cinzas